A Tesla passou a ser analisada por autoridades federais dos Estados Unidos após a empresa informar, em relatório à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), que o Departamento de Justiça (DOJ) conduz uma apuração que inclui a distância real (autonomia) percorrida por seus veículos com uma carga completa. A discussão sobre o assunto ganhou destaque, já que a autonomia é um dos principais critérios de aquisição no setor elétrico.
De acordo com o documento que estabelece regras, o DOJ analisa várias questões sobre os produtos da montadora. Uma dessas questões é a autonomia da Tesla, que foi divulgada com base nas estimativas da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. A empresa afirma que, até o momento, nenhuma autoridade concluiu pela existência de irregularidade.
Autonomia da Tesla e os números em teste
A Consumer Reports realizou testes próprios com modelos elétricos concorrentes, incluindo o Tesla Model Y, o Volkswagen ID.4, o Hyundai Ioniq 5 e o Ford Mustang Mach-E. Em clima quente, o Model Y percorreu 441 quilômetros, abaixo dos 525 quilômetros informados pela EPA para o modelo.
Nos mesmos testes, o ID.4 e o Mach-E registraram desempenho levemente superior ao anunciado, enquanto o Ioniq 5 ficou a menos de 3 quilômetros da autonomia declarada de 412 quilômetros. A organização sustenta que os resultados refletem condições de uso mais próximas do cotidiano do consumidor.
Ainda assim, o Model Y percorreu uma distância total maior do que a do ID.4 e do Ioniq 5 e ficou próximo do Mach-E. O contraste reforça o debate sobre como comunicar números oficiais e expectativas de uso real.
Avaliações oficiais e dados declarados
A EPA calcula suas estimativas a partir de protocolos padronizados que consideram diferentes ciclos de condução. As próprias montadoras fornecem parte dos dados usados nesses cálculos, o que amplia a atenção regulatória quando surgem divergências recorrentes entre números oficiais e testes independentes.
No relatório à SEC, a Tesla declarou que não há conclusão de irregularidade por parte de nenhuma agência governamental. Procurada, a empresa não comentou além do comunicado público, enquanto o Departamento de Justiça se recusou a se manifestar sobre investigações em andamento.
Autonomia Tesla, riscos e precedentes
O exame regulamentar faz referência a experiências anteriores do setor automobilístico nos Estados Unidos. O caso mais conhecido envolve a Volkswagen, que admitiu ter fornecido informações enganosas sobre emissões de veículos a diesel. A empresa concordou em pagar US$ 4,3 bilhões em multas, incluindo US$ 2,8 bilhões em penalidades criminais.
Para analistas, a discussão sobre a autonomia da Tesla tende a influenciar padrões de comunicação no mercado de elétricos, além de reforçar a importância de métricas comparáveis para consumidores e investidores. A forma como reguladores, empresas e entidades independentes alinham esses números deve moldar a próxima etapa do setor.










