O processo Elon Musk, fundador da Tesla, entrou no radar dos investidores após acionistas acusarem o bilionário de vender ações da empresa antes da divulgação de dados fracos de vendas. A ação foi protocolada em Delaware e mira transações realizadas no fim de 2022, quando ele levantou caixa para comprar o Twitter, hoje X.
Naquele período, o executivo negociou 41,5 milhões de papéis entre novembro e dezembro, somando US$ 7,5 bilhões. As vendas ocorreram semanas depois de Elon Musk afirmar, em teleconferência, que a demanda do quarto trimestre estava sólida, o que reforçou o debate sobre governança corporativa e dever fiduciário.
A linha do tempo do processo contra Elon Musk:
Segundo a ação, o ponto central é o timing das operações. Em 4 de novembro, as vendas tiveram preço médio de US$ 208,58. Em 14 de dezembro, o valor médio caiu para US$ 158,37. O relatório de vendas do quarto trimestre, divulgado em janeiro, levou as ações a US$ 108,10.
Os autores sustentam que o bilionário teria acesso a dados internos em tempo real, algo que ele próprio já destacou publicamente. Para os acionistas, isso cria assimetria informacional entre o CEO e o mercado, tese que exige análise judicial.
Venda de ações e dever fiduciário
Outro eixo do caso envolve a mudança no padrão histórico do executivo. Antes de 2022, Elon Musk vendia ações majoritariamente para pagar impostos ligados a opções, muitas vezes dentro de planos automáticos. Entre abril e dezembro daquele ano, porém, foram US$ 22,9 bilhões em vendas não programadas.
Além disso, a Tesla iniciou cortes de preços na China em outubro, de até 9%, sinalizando pressão comercial. Para os investidores, esse contexto reforça a discussão sobre informação relevante e comunicação ao mercado.
Elon Musk: processo e o voto dos acionistas
O processo contra Elon Musk avança enquanto a companhia busca aval dos acionistas para restituir opções de ações retiradas por decisão judicial anterior. Consultorias de voto já recomendaram rejeição ao pacote, citando preocupações com projetos paralelos do CEO.
Embora as ações tenham mais que dobrado em 2023, o papel acumula queda no ano corrente. O desfecho do caso tende a influenciar a percepção sobre compliance, transparência e a relação entre liderança e investidores no setor de veículos elétricos.











