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Na quarta-feira (28), o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne com a expectativa de manter juros em 15%, patamar mais alto desde meados dos anos 2000. A decisão, prevista para após as 18h, deve prolongar um ciclo de estabilidade que já dura cinco reuniões consecutivas, segundo projeções do mercado financeiro.
A leitura majoritária é de que o Banco Central prefere preservar a atual estratégia enquanto monitora a inflação projetada e a atividade econômica. Apesar de sinais de alívio nos preços, economistas avaliam que o cenário ainda pede prudência, especialmente diante de um mercado de trabalho aquecido e dados recentes acima do esperado.
Copom e juros em 15%: o cálculo por trás da decisão
A manutenção dos juros em 15% reflete a lógica do regime de metas de inflação em vigor. Desde 2025, o país opera com meta contínua de 3%, dentro de uma banda que vai de 1,5% a 4,5%. O Banco Central observa menos os índices passados e mais as projeções futuras, hoje concentradas no terceiro trimestre de 2027.
Esse método leva em conta a defasagem da política monetária. Alterações na taxa básica costumam levar de seis a 18 meses para produzir efeitos plenos sobre crédito, consumo e preços. Por isso, mesmo com alguma melhora no quadro inflacionário, o Copom tende a esperar sinais mais consistentes antes de mudar o rumo.
Política monetária restritiva e atividade econômica
Outro fator relevante é o nível de atividade. Indicadores recentes apontam uma economia ainda em expansão, com desemprego em mínimas históricas. Na avaliação do próprio Banco Central, esse contexto mantém o chamado hiato do produto positivo, indicando operação acima do potencial.
Analistas observam que um crescimento mais moderado faz parte da estratégia atual. Ao reduzir pressões no setor de serviços, a política monetária ajuda a alinhar a inflação às metas, ainda que imponha custos de curto prazo para empresas e consumidores.
Copom, juros em 15% e o debate sobre o corte
Para o mercado, o debate central não é mais se haverá corte, mas quando ele começará. A expectativa aponta março como o momento inicial, com recuo para 14,5% ao ano. Até lá, a sinalização do Copom será determinante para calibrar apostas.
Nesse contexto, a decisão de manter juros em 15% reforça a mensagem de cautela e disciplina técnica. A leitura final é que o Banco Central do Brasil busca ganhar tempo para consolidar expectativas e reduzir riscos, antes de iniciar um novo ciclo de flexibilização monetária.











