A Selic e mercado imobiliário voltaram a tensionar a relação entre política monetária e crédito habitacional após a decisão do Copom, anunciada na quarta-feira (28/01), de manter a taxa básica em 15% ao ano. A escolha frustrou parte do setor. Ainda assim, não alterou todas as leituras para 2026.
Por trás dessa reação está um segmento que já superou o choque da pandemia. Desde então, o mercado retomou lançamentos e ampliou o volume de financiamentos. No entanto, o avanço segue condicionado ao custo do crédito. Esse fator permanece decisivo para sustentar vendas, investimentos e empregos na construção civil.
Selic sob pressão institucional
Do lado das incorporadoras, o discurso foi direto. Em nota divulgada na noite de quarta-feira, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) avaliou que a Selic em 15% prolonga um aperto monetário com efeitos relevantes sobre a economia.
Segundo a entidade, o patamar atual dos juros não dialoga com as necessidades de crescimento do país. Para a ABRAINC, a decisão do Copom mantém restrições que atingem setores dependentes de financiamento de longo prazo.
Além disso, a associação destacou o impacto fiscal. De acordo com a ABRAINC, o Brasil destinou cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao pagamento de juros da dívida pública em 2025. Com isso, ocupou a segunda posição em ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI), que analisa 190 países.
Crédito habitacional entre custo elevado e demanda ativa
Na avaliação da ABRAINC, juros elevados por período prolongado limitam o crédito. Além disso, desestimulam o investimento produtivo. Como consequência, afetam setores intensivos em mão de obra, como a construção civil.
A entidade também quantificou o efeito potencial de cortes na Selic. Segundo suas estimativas, cada ponto percentual de redução poderia gerar economia anual entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões em despesas com juros.
Apesar disso, a Selic e mercado imobiliário não operam apenas sob pressão. O setor manteve desempenho apoiado em programas habitacionais e em fontes estruturadas de financiamento. Entre elas, destacam-se o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Nesse contexto, o Minha Casa, Minha Vida, em sua nova configuração, sustentou lançamentos nas faixas de renda mais baixa. Ao mesmo tempo, os segmentos de médio e alto padrão seguiram amparados por consumidores com maior renda e capacidade de financiamento.
Selic e mercado imobiliário nas leituras para 2026
Enquanto as incorporadoras intensificam a cobrança por cortes mais rápidos, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) adotou uma leitura mais equilibrada.
A Abecip mantém a expectativa de queda da Selic no segundo semestre deste ano. Além disso, mesmo com a taxa em 15%, a associação projeta crescimento de 16% nas concessões de financiamento imobiliário em 2026.
Dessa forma, a leitura predominante é que a Selic e mercado imobiliário seguirão em ajuste fino ao longo do ano. O setor avança. No entanto, depende de um ambiente de crédito menos oneroso para ampliar o acesso à casa própria e destravar novos projetos.











