Conta de luz deve subir quase o dobro da inflação em 2026

O reajuste da conta de luz em 2026 deve superar a inflação, segundo a Thymos Energia. Custos, subsídios e cortes na geração renovável explicam por que as tarifas tendem a pesar mais no bolso.
Imagem de uma lâmpada para ilustrar uma matéria jornalística sobre o reajuste da conta de luz em 2026.
(Imagem: Carlos Eduardo John Edenus/Pixabay)

As projeções para o reajuste da conta de luz em 2026 indicam um avanço médio de 7,64% nas tarifas, quase o dobro da inflação esperada pelo mercado. A estimativa é da consultoria Thymos Energia e aponta uma pressão disseminada sobre os consumidores, com diferenças relevantes entre distribuidoras.

Embora o Boletim Focus aponte IPCA de 3,99% para 2026, parte das concessionárias deve aplicar aumentos bem superiores. Em alguns casos, o percentual estimado se aproxima do triplo do índice de preços, ampliando o descompasso entre renda e despesas básicas.

Reajuste da conta de luz nas distribuidoras

Entre as maiores altas projetadas estão a Neoenergia Pernambuco, com 13,12%, a CPFL Paulista, com 12,50%, e a Enel Ceará, com 10,66%. Segundo a Thymos, esses percentuais refletem estruturas de custo distintas e condições operacionais mais pressionadas.

Na outra ponta, aparecem concessionárias com índices negativos ou abaixo da média nacional. Neoenergia Brasília (-3,73%), Amazonas Energia (-1,72%) e Equatorial Piauí (-0,83%) devem registrar alívio tarifário, ainda que pontual, em um cenário geral de altas.

Tarifas de energia acima da inflação

A consultoria atribui o quadro a três fatores principais: custos de geração mais elevados, perdas técnicas e não técnicas — que incluem furto de energia — e o avanço da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Esse encargo financia subsídios do setor e é rateado por todos os consumidores.

Além disso, o sistema elétrico enfrenta desafios operacionais crescentes. O avanço das fontes solar e eólica, combinado a limitações de transmissão, elevou os cortes forçados de geração, conhecidos como curtailment. Em 2025, a micro e minigeração distribuída alcançou 44 mil MW, cerca de 17% da potência instalada do país.

Os dados mostram que a média anual de cortes chegou a 24,3% na solar e 18,7% na eólica, patamar que reduz a eficiência econômica dos projetos e pressiona a formação das tarifas.

Reajuste da conta de luz e os próximos passos

Para 2026, a consultoria Thymos projeta um leve aumento do curtailment. Com isso, o tema deixou de ser periférico e passou a influenciar de forma direta as decisões de investimento no setor elétrico. Na avaliação da consultoria, os cortes forçados de geração ganharam peso na previsibilidade dos projetos, ao afetar receitas, planejamento operacional e a atratividade econômica de novos empreendimentos.

Além disso, o armazenamento de energia e mecanismos econômicos adequados precisam avançar para reduzir desperdícios e custos. Sem essas medidas, o reajuste da conta de luz para 2026 tende a refletir um setor mais caro e complexo, no qual eficiência operacional e equilíbrio regulatório ganham peso decisivo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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