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Exportação de petróleo do Brasil muda rota e reforça eixo asiático

A exportação de petróleo do Brasil avança sobre China e Índia, perde espaço nos EUA e se apoia em produção recorde para reposicionar seus fluxos no mercado internacional.
Exportação de petróleo do Brasil para China e Índia
Avanço da demanda asiática redesenha os destinos do petróleo brasileiro. Imagem: Canva

A exportação de petróleo do Brasil passou por uma nova configuração em janeiro. De um lado, os embarques para a Ásia avançaram. De outro, o espaço no mercado norte-americano diminuiu. Na última semana, dados analisados pela StoneX mostraram que a China respondeu por 56% do volume total exportado no mês, o maior patamar desde 2020.

Em números absolutos, as vendas brasileiras ao mercado chinês chegaram a uma média de 1,46 milhão de barris por dia. Como resultado, o desempenho ajudou a sustentar um crescimento de 13,3% das exportações totais de petróleo do Brasil na comparação anual. O volume alcançou 2,6 milhões de barris diários, mesmo com preços internacionais mais baixos.

Exportação de petróleo e a virada asiática

Ao mesmo tempo, a ampliação do espaço asiático ocorreu junto à retração das compras dos Estados Unidos. Segundo a StoneX, os EUA reduziram em 26% a aquisição de petróleo brasileiro. Assim, o volume médio caiu para 193,38 mil barris por dia, à medida que o país passou a absorver mais barris da Venezuela.

A mudança nos fluxos globais abriu espaço para o petróleo brasileiro em outros destinos. A China buscou fornecedores alternativos após a reconfiguração dos embarques venezuelanos. Com isso, reforçou sua presença na pauta brasileira.

Além disso, o avanço da demanda chinesa ocorre em um cenário de formação de estoques estratégicos. Ao mesmo tempo, o setor de refino segue com atividade elevada. Cordeiro destaca que o petróleo brasileiro, classificado como médio, não concorre diretamente com o venezuelano, de perfil mais pesado. Por isso, tende a ser usado em misturas ou para armazenagem.

Avanço indiano e contratos da Petrobras

Paralelamente, a Índia manteve a segunda posição entre os destinos do petróleo brasileiro pelo segundo mês consecutivo. O país respondeu por 8% das exportações, com média de 201,46 mil barris por dia. O resultado foi impulsionado por novos acordos firmados pela Petrobras.

Em janeiro, a estatal informou a renovação e a ampliação de contratos com refinadoras estatais indianas. Os instrumentos comerciais preveem a venda potencial de até 60 milhões de barris. O valor total pode superar US$ 3 bilhões, o que fortalece a presença brasileira no mercado asiático.

Uma eventual redução das compras indianas de petróleo russo pode abrir espaço adicional para o produto brasileiro. Ao mesmo tempo, parte da oferta da Rússia tende a ser direcionada ao mercado chinês.

Exportação de petróleo do Brasil e oferta crescente

Por fim, o novo desenho da exportação de petróleo do Brasil é sustentado pelo aumento da oferta interna. Em 2025, a produção nacional atingiu o recorde de 3,770 milhões de barris por dia. O volume representa alta de 12,3% ante o ano anterior, segundo a Rystad Energy, com liderança regional na América Latina.

Esse avanço amplia a flexibilidade comercial do país em um cenário global mais fragmentado. Ainda que existam incertezas sobre os destinos nos próximos meses, a combinação entre maior produção e demanda asiática elevada tende a manter a exportação de petróleo do Brasil fora do eixo tradicional dos Estados Unidos.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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