A importação de cannabis medicinal alcançou em 2025 o maior patamar já registrado no Brasil, consolidando-se como o principal canal de acesso dos pacientes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu mais de 194 mil autorizações ao longo do ano, alta de 16,3% em relação a 2024 e o maior volume desde o início da série histórica..
O crescimento ganhou tração ao longo do segundo semestre. Outubro concentrou 19.710 permissões, o maior número mensal já registrado. Óleos, extratos ricos em canabidiol (CBD), formulações full spectrum e cápsulas lideraram as compras, refletindo a adaptação do mercado a diferentes perfis terapêuticos.
Importação de cannabis medicinal impulsiona prática clínica
Desde 2015, quando a Anvisa passou a permitir a importação individual desses produtos, o volume avançou de forma contínua. Naquele ano, foram registradas apenas 850 autorizações. Em 2024, o total chegou a 167.337, antes de novo salto em 2025, impulsionado pela ampliação do número de prescritores e pacientes.
A expansão está associada à maior adesão de médicos e dentistas ao uso terapêutico da cannabis, incorporada ao tratamento de condições como doenças crônicas, transtornos neurológicos e distúrbios do sono. A exigência de prescrição profissional e autorização sanitária individual mantém o controle sobre o consumo.
Regras da Anvisa moldam o acesso no país
O modelo vigente é regulado pela RDC 660/2022, que estabelece as regras para a importação de cannabis para uso pessoal. O formato difere da RDC 327/2019, que trata dos produtos fabricados ou comercializados no Brasil e disponíveis em farmácias e drogarias, reforçando a dependência de fornecedores externos.
Em setembro de 2023, a proibição da importação de flores de cannabis provocou retração temporária no número de autorizações. Ainda assim, o mercado absorveu o impacto com rapidez, à medida que pacientes migraram para óleos, cápsulas e extratos, o que permitiu a retomada do crescimento da importação de cannabis medicinal.
Importação de cannabis medicinal e entraves à produção local
Apesar das condições agrícolas favoráveis, o cultivo nacional segue em estágio inicial. Representantes do setor avaliam que a ausência de regras mais detalhadas dificulta investimentos em escala e posterga a entrada do país como produtor relevante de insumos e extratos.
A avaliação predominante é de que a viabilidade econômica do cultivo exige tempo, com retorno gradual sobre os investimentos. Nesse cenário, a importação de cannabis medicinal permanece como eixo central do abastecimento no curto e médio prazo, enquanto o debate regulatório segue em evolução.
O avanço consistente das autorizações indica uma demanda estrutural em expansão, sustentada pela consolidação do uso terapêutico. Até que o ambiente regulatório avance, o Brasil deve manter forte dependência do mercado internacional para atender pacientes.





