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Inflação de janeiro repete ritmo mensal e sobe para 4,44% em 12 meses

A inflação de janeiro subiu 0,33%, com pressão dos combustíveis e alívio da energia elétrica. O IPCA acumulado chegou a 4,44%, mostrando um início de ano ainda marcado por preços elevados.
Inflação de janeiro impactada por combustíveis e energia elétrica
Inflação de janeiro mantém pressão apesar do alívio na conta de luz. Imagem: Canva

A inflação de janeiro registrou alta de 0,33%. Com isso, repetiu o mesmo patamar observado em dezembro. O dado confirma um início de ano marcado por forças opostas dentro da cesta de consumo. As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (10/02). No acumulado em 12 meses, o índice avançou para 4,44%, acima dos 4,26% registrados no fim de 2025.

Além disso, o resultado ficou praticamente alinhado às estimativas do mercado financeiro. Pesquisa da Reuters apontava expectativa de avanço de 0,32% no mês e de 4,43% em 12 meses. Dessa forma, apesar da estabilidade no ritmo mensal, a inflação segue em patamar elevado na comparação anual.

Inflação de janeiro e o peso dos combustíveis

Em primeiro lugar, a principal pressão da inflação de janeiro veio do grupo Transportes. O segmento avançou 0,60% no mês. Sozinho, respondeu por 0,12 ponto percentual do índice cheio. Dentro do grupo, os combustíveis subiram 2,14%. A gasolina, com alta de 2,06%, exerceu o maior impacto individual do mês, de 0,10 ponto.

Além disso, houve aumento nos preços do etanol, do óleo diesel e do gás veicular. Ao mesmo tempo, reajustes nas tarifas de ônibus urbano em seis capitais reforçaram a alta. Como resultado, o custo do deslocamento diário aumentou para uma parcela relevante da população.

Ainda assim, parte dessa pressão foi compensada por quedas expressivas em outros subitens. O transporte por aplicativo recuou 17,23%. Já as passagens aéreas caíram 8,90%. Esses recuos ocorreram após altas intensas registradas no fim do ano passado.

Alívio pontual na habitação e nos alimentos

Por outro lado, o grupo Habitação apresentou queda de 0,11% em janeiro. A principal explicação foi o recuo de 2,73% na energia elétrica residencial. Esse foi o maior impacto negativo do mês. A mudança da bandeira tarifária, de amarela em dezembro para verde em janeiro, eliminou a cobrança adicional na conta de luz.

Além disso, a inflação de janeiro mostrou desaceleração em Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice. A alta foi de 0,23%, abaixo da registrada em dezembro. A alimentação no domicílio avançou apenas 0,10%. O resultado refletiu as quedas nos preços do leite longa vida e dos ovos. Em contrapartida, tomate e algumas carnes exerceram pressão pontual.

Fora do domicílio, a alimentação subiu 0,55%. Nesse caso, houve aceleração nas refeições. Já os lanches apresentaram desaceleração. Esse comportamento indica uma recomposição desigual dos preços dentro do segmento.

Inflação de janeiro e sinais para os próximos meses

Outros grupos também influenciaram o resultado do índice. Comunicação liderou as variações, com alta de 0,82%. O avanço foi puxado por aparelhos telefônicos e planos combinados de serviços. Em seguida, Saúde e cuidados pessoais subiu 0,70%, refletindo reajustes em itens de higiene e planos de saúde.

No conjunto, a inflação de janeiro desenha um cenário de equilíbrio instável. Choques regulatórios e tributários seguem determinantes para o comportamento dos preços. Ao mesmo tempo, a composição do índice mostra que oscilações em itens de grande peso continuam definindo o ritmo inflacionário no curto prazo, mantendo o tema no radar do mercado.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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