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Índice de Preços ao Produtor tem 2º menor dezembro desde 2014

Imagem de produtores de alimentos simbolizando o Índice de Preços ao Produtor acumulado em 2025
Índice de Preços ao Produtor encerrou 2025 com queda acumulada de 4,53%, segundo o IBGE. (Foto: Reprodução)

O Índice de Preços ao Produtor de dezembro registrou segundo menor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2014, de acordo com a publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançada nesta quarta-feira (11/09). No acumulado do ano, o indicador fechou em -4,53%, consolidando retração nos preços da indústria.

Embora dezembro tenha apresentado alta de 0,12% frente a novembro, o resultado anual confirma mudança relevante na trajetória dos preços industriais, após 2024 ter encerrado com avanço de 9,28%.

Índice de Preços ao Produtor de dezembro: resultado anual e setores de maior influência

O desempenho de 2025 foi determinado por segmentos com peso elevado na estrutura da indústria geral. A concentração das influências negativas ajuda a explicar a amplitude da queda acumulada.

Entre os principais destaques do ano no Índice de Preços ao Produtor de dezembro:

  • Indústria Geral: -4,53% no acumulado
  • Fabricação de alimentos: -10,47%, influência de -2,70 p.p.
  • Indústrias extrativas: -14,39%, impacto de -0,69 p.p.
  • Bens intermediários: -7,27%, responsáveis por -4,02 p.p.

O setor de alimentos registrou oito meses consecutivos de variação mensal negativa, incluindo -0,76% em dezembro. Além disso, produtos como açúcar, arroz e derivados de soja refletiram oferta internacional elevada e apreciação cambial ao longo do ano.

Já nas indústrias extrativas, mesmo com alta de 3,13% no mês, o acumulado anual permaneceu pressionado. Influenciado, inclusive, pelo comportamento de minério de ferro e óleo bruto de petróleo no mercado externo.

Leia também: Produção de grãos no Brasil bate recorde com 346,1 mi de toneladas em 2025, diz IBGE

Desempenho por categorias econômicas e dinâmica mensal

A leitura por Grandes Categorias Econômicas mostra que o ajuste foi mais intenso nos segmentos ligados à cadeia produtiva.

Na comparação mensal do Índice de Preços ao Produtor de dezembro:

  • Bens de capital: +0,53%
  • Bens intermediários: +0,34%
  • Bens de consumo: -0,25%

Já no acumulado total de 2025:

  • Bens de capital: +0,78%
  • Bens de consumo duráveis: +3,09%
  • Bens semiduráveis e não duráveis: -2,40%

O desempenho dos bens intermediários, que concentram insumos industriais, foi determinante para o resultado agregado. Além disso, como esse grupo tem peso elevado na formação de preços, sua retração ampliou o recuo do índice.

Índice de Preços ao Produtor de dezembro e a reversão frente a 2024

A comparação com o ano anterior evidencia a inflexão. Em dezembro de 2024, o acumulado apontava alta de 9,28%. Por outro lado, em 2025, o fechamento em -4,53% indica ajuste disseminado em setores ligados a commodities, derivados de petróleo e matérias-primas.

O IPP acompanha cerca de 416 produtos e 2.000 empresas, cobrindo aproximadamente 67% da receita líquida industrial. Embora não meça o custo de vida, o indicador antecipa pressões na cadeia produtiva e na formação de margens.

O comportamento do Índice de Preços ao Produtor em 2025 sugere menor pressão de custos para parte da indústria, especialmente nos segmentos exportadores. A evolução do indicador do IBGE em 2026, portanto, dependerá do câmbio, da demanda global e do ritmo de recomposição dos preços ao longo da estrutura industrial.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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