O agronegócio brasileiro conquistou, nesta sexta-feira (13/02), autorização para exportar farinha de vísceras de aves e farinha de sangue bovino ao Equador. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) conduziu e concluiu a negociação sanitária com as autoridades equatorianas e, assim, ampliou de forma direta a pauta de produtos de origem animal destinados ao país sul-americano.
Com isso, o Brasil passa a incluir insumos de nutrição animal em uma relação comercial que, por sua vez, já superou US$ 346 milhões em exportações agropecuárias em 2025. Até então, a pauta se concentrava principalmente em cereais, café e papel, segundo dados oficiais.
Agronegócio no Brasil diversifica a pauta
A decisão libera dois produtos estratégicos para a indústria: a farinha de vísceras de aves e a farinha de sangue bovino. A própria indústria transforma resíduos do processamento em insumos de alto teor proteico e, consequentemente, amplia o uso dessas matérias-primas na formulação de rações para suínos, aves, peixes e animais de estimação.
Além de expandir a oferta externa, o agronegócio brasileiro agrega valor à cadeia produtiva quando converte subprodutos em itens exportáveis. Nesse sentido, o MAPA afirma que a medida tende a ampliar oportunidades comerciais e, ao mesmo tempo, fortalecer o intercâmbio bilateral com o Equador.
Subprodutos de origem animal ganham mercado
Ao exportar esses insumos, os frigoríficos também ajustam sua estratégia industrial. Em vez de arcar com custos de descarte, as empresas aproveitam integralmente a matéria-prima e, assim, elevam o retorno financeiro da cadeia de proteína animal, conforme avaliação do ministério.
Além disso, essa abertura comercial integra uma estratégia mais ampla de acesso a mercados conduzida pelo governo federal. Desde o início de 2023, o Brasil acumulou 537 autorizações para vender produtos agropecuários no exterior, resultado da articulação direta entre as áreas de agricultura e relações exteriores.
Agronegócio brasileiro e diplomacia comercial
O avanço no Equador ocorre em meio a uma disputa global por mercados para produtos agroindustriais. Ao mesmo tempo, países da América do Sul ampliam exigências sanitárias e técnicas e, por isso, tornam as negociações bilaterais ainda mais relevantes para a expansão das exportações.
Nesse cenário, o agronegócio brasileiro reforça sua presença na América Latina ao incluir insumos de maior valor agregado na pauta externa. Dessa forma, o setor reduz a dependência de commodities tradicionais e, simultaneamente, amplia sua inserção nas cadeias de insumos agroindustriais.
Ao transformar resíduos em ativo comercial e expandir sua atuação internacional, o agronegócio brasileiro estrutura uma estratégia baseada em acesso sanitário, competitividade industrial e ampliação contínua de mercados na região.



