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Bayer propõe acordo bilionário sobre o Roundup nos EUA

O acordo bilionário Roundup prevê até US$ 7,25 bilhões para encerrar 67 mil processos nos EUA e reorganizar o passivo jurídico da Bayer, com reflexos no caixa, no crédito e na percepção de risco da companhia.
Imagem da fachada da Bayer para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Acordo Bilionário do Roundup
(Imagem: Berlinschneid/Wikimedia Commons)

O acordo bilionário da Roundup anunciado nesta terça-feira (17) pela Monsanto, subsidiária da Bayer, prevê até US$ 7,25 bilhões para encerrar cerca de 67 mil processos nos Estados Unidos envolvendo alegações de câncer ligadas ao herbicida. A proposta depende de aprovação judicial.

A iniciativa tenta consolidar milhares de ações estaduais em uma única ação coletiva, ao mesmo tempo em que estabelece critérios para pedidos atuais e futuros. A empresa já desembolsou bilhões em indenizações, mas busca agora transformar disputas fragmentadas em um cronograma de pagamentos previsível.

Como o acordo bilionário da Roundup foi estruturado

O entendimento cobre pessoas expostas ao glifosato antes de 17 de fevereiro de 2026, com diagnóstico confirmado de linfoma não Hodgkin ou obtido até 16 anos após eventual validação do tribunal. O pedido de aprovação preliminar foi protocolado no Tribunal do Circuito de St. Louis, no Missouri.

Segundo o CEO da Bayer, Bill Anderson, o arranjo e o recurso aceito pela Suprema Corte dos Estados Unidos, no caso Durnell, são passos para reduzir a incerteza jurídica. A companhia sustenta que o modelo oferece maior previsibilidade sobre os custos de litígios judiciais.

Estrutura financeira do pacto judicial sobre o herbicida

O plano prevê pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos, limitados ao teto de US$ 7,25 bilhões. Para garantir liquidez imediata, a multinacional contratou uma linha de crédito bancária de US$ 8 bilhões e pretende emitir dívida sênior, sem recorrer a aumento de capital.

Com os novos entendimentos ligados ao produto e também aos bifenilos policlorados (PCB), os custos totais com disputas devem subir de € 7,8 bilhões, registrados em setembro de 2025, para € 11,8 bilhões. Desse montante, € 9,6 bilhões estão associados ao glifosato, segundo a empresa.

Além disso, a Bayer projeta fluxo de caixa livre negativo em 2026. A companhia também adiou a divulgação de seus resultados de 2025 para 4 de março, em meio à reorganização do passivo jurídico.

O que muda para a Bayer após o acordo bilionário da Roundup

O acordo bilionário da Roundup representa uma tentativa de converter decisões judiciais imprevisíveis em um compromisso financeiro escalonado. Analistas de governança corporativa avaliam que a previsibilidade pode reduzir oscilações no balanço financeiro, embora o volume total permaneça elevado.

Para investidores, a equação envolve provisões judiciais, geração de caixa e acesso ao mercado de crédito internacional. O julgamento na Suprema Corte poderá influenciar a interpretação sobre responsabilidade civil e rotulagem no setor agroquímico.

Se aprovado, o acordo bilionário da Roundup poderá redefinir o perfil de risco da Bayer nos Estados Unidos. Ele também testará a capacidade da companhia de sustentar seu equilíbrio financeiro em um cenário de alta exposição jurídica.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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