O acordo bilionário da Roundup anunciado nesta terça-feira (17) pela Monsanto, subsidiária da Bayer, prevê até US$ 7,25 bilhões para encerrar cerca de 67 mil processos nos Estados Unidos envolvendo alegações de câncer ligadas ao herbicida. A proposta depende de aprovação judicial.
A iniciativa tenta consolidar milhares de ações estaduais em uma única ação coletiva, ao mesmo tempo em que estabelece critérios para pedidos atuais e futuros. A empresa já desembolsou bilhões em indenizações, mas busca agora transformar disputas fragmentadas em um cronograma de pagamentos previsível.
Como o acordo bilionário da Roundup foi estruturado
O entendimento cobre pessoas expostas ao glifosato antes de 17 de fevereiro de 2026, com diagnóstico confirmado de linfoma não Hodgkin ou obtido até 16 anos após eventual validação do tribunal. O pedido de aprovação preliminar foi protocolado no Tribunal do Circuito de St. Louis, no Missouri.
Segundo o CEO da Bayer, Bill Anderson, o arranjo e o recurso aceito pela Suprema Corte dos Estados Unidos, no caso Durnell, são passos para reduzir a incerteza jurídica. A companhia sustenta que o modelo oferece maior previsibilidade sobre os custos de litígios judiciais.
Estrutura financeira do pacto judicial sobre o herbicida
O plano prevê pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos, limitados ao teto de US$ 7,25 bilhões. Para garantir liquidez imediata, a multinacional contratou uma linha de crédito bancária de US$ 8 bilhões e pretende emitir dívida sênior, sem recorrer a aumento de capital.
Com os novos entendimentos ligados ao produto e também aos bifenilos policlorados (PCB), os custos totais com disputas devem subir de € 7,8 bilhões, registrados em setembro de 2025, para € 11,8 bilhões. Desse montante, € 9,6 bilhões estão associados ao glifosato, segundo a empresa.
Além disso, a Bayer projeta fluxo de caixa livre negativo em 2026. A companhia também adiou a divulgação de seus resultados de 2025 para 4 de março, em meio à reorganização do passivo jurídico.
O que muda para a Bayer após o acordo bilionário da Roundup
O acordo bilionário da Roundup representa uma tentativa de converter decisões judiciais imprevisíveis em um compromisso financeiro escalonado. Analistas de governança corporativa avaliam que a previsibilidade pode reduzir oscilações no balanço financeiro, embora o volume total permaneça elevado.
Para investidores, a equação envolve provisões judiciais, geração de caixa e acesso ao mercado de crédito internacional. O julgamento na Suprema Corte poderá influenciar a interpretação sobre responsabilidade civil e rotulagem no setor agroquímico.
Se aprovado, o acordo bilionário da Roundup poderá redefinir o perfil de risco da Bayer nos Estados Unidos. Ele também testará a capacidade da companhia de sustentar seu equilíbrio financeiro em um cenário de alta exposição jurídica.





