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Imigração não autorizada nos EUA pressiona emprego

A imigração não autorizada nos EUA entrou no radar do Fed após estudo apontar relação direta com a desaceleração do emprego e efeitos na construção residencial e na oferta de moradias.
Imigração não autorizada nos EUA e impacto no emprego
Estudo do Fed relaciona queda no fluxo migratório à desaceleração do emprego em setores como construção e manufatura. Imagem: Canva

A imigração não autorizada nos EUA perdeu força a partir de março de 2024. Desde então, passou a influenciar diretamente o ritmo de geração de vagas. Além disso, um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Federal Reserve de San Francisco reforça essa leitura. Segundo a pesquisa, regiões com maior queda no fluxo migratório registraram desaceleração mais intensa no mercado de trabalho. Principalmente na construção e na manufatura.

Ao mesmo tempo, os dados recentes confirmam o cenário. Em 2025, a economia norte-americana criou apenas 181 mil empregos. No ano anterior, haviam sido 1,459 milhão. Ou seja, houve forte perda de ritmo. Economistas já relacionavam parte dessa desaceleração ao recuo na entrada de trabalhadores estrangeiros. Agora, porém, o estudo detalha essa conexão de forma mais precisa.

Imigração não autorizada nos EUA e mercado local

O levantamento, assinado por Daniel Wilson e Xiaoqing Zhou, examinou o avanço acelerado da imigração irregular desde 2021. Em seguida, avaliou a inflexão observada no primeiro trimestre de 2024. De acordo com os autores, localidades que enfrentaram maior retração no ingresso de trabalhadores sem status legal apresentaram queda mais intensa no crescimento do emprego.

“Em média, os locais que experimentaram as maiores desacelerações na imigração não autorizada viram as maiores desacelerações no crescimento do emprego na construção, manufatura e outros serviços”, escreveram os economistas do Fed. Portanto, a análise indica relação direta entre oferta de mão de obra e dinamismo econômico regional.

Fluxo migratório e construção residencial

Entre os setores avaliados, a construção aparece como o mais sensível. Conforme o estudo, a redução no número de trabalhadores estrangeiros pode estar freando a construção residencial. Como resultado, a expansão da oferta de moradias também perde ritmo.

“O efeito para o setor de construção é particularmente notável”, afirmam Wilson e Zhou. Segundo eles, a diminuição recente no fluxo migratório pode desacelerar o crescimento da oferta habitacional. Assim, o tema se conecta ao debate sobre preços imobiliários e acesso à moradia.

Por outro lado, o governo Donald Trump sustenta que a redução da imigração não autorizada nos EUA beneficia trabalhadores locais. Além disso, argumenta que a medida ajuda a conter a demanda por casas. Já os economistas do Fed avaliam que, enquanto o fluxo permanecer reduzido, o crescimento do emprego deverá continuar pressionado.

Imigração não autorizada nos EUA no radar econômico

A discussão, portanto, vai além da política migratória. Ela alcança também a política monetária e o planejamento urbano. Com menor expansão da força de trabalho, setores intensivos em mão de obra enfrentam limites produtivos. Consequentemente, investimentos e cronogramas de obras podem ser afetados.

Além disso, a imigração não autorizada nos EUA passou a integrar o debate sobre oferta agregada e produtividade. Ao quantificar essa correlação, o Fed acrescenta uma dimensão técnica ao tema. Dessa forma, a análise amplia a compreensão do ciclo econômico atual.

No cenário atual, a imigração não autorizada nos EUA deixa de ser apenas pauta institucional. Em vez disso, assume papel estrutural na leitura do mercado de trabalho, justamente em um período de desaceleração da economia.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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