A inflação ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,2% em janeiro, segundo relatório divulgado na sexta-feira (13) pelo Departamento do Trabalho. O dado ficou abaixo da mediana de 0,3% projetada por analistas ouvidos pela Reuters e reacendeu o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Em 12 meses, o índice de preços ao consumidor (CPI) acumulou alta de 2,4%, abaixo dos 2,7% registrados até dezembro e também inferior à expectativa de 2,5%. Ainda assim, o patamar permanece acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano por meio do índice PCE.
Inflação ao consumidor e o núcleo de preços
No recorte mensal, a inflação ao consumidor perdeu intensidade frente a dezembro, quando havia avançado 0,3%. Já o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% em janeiro, após 0,2% no mês anterior.
Na comparação anual, o núcleo ficou em 2,5%, levemente abaixo dos 2,6% anteriores. O comportamento reflete tanto ajustes sazonais recalculados para 2025 quanto a saída de leituras mais elevadas da base de comparação, segundo o Departamento do Trabalho.
Mercado de trabalho e juros nos EUA
O dado de inflação americana ganhou peso adicional porque foi divulgado dias após o relatório de emprego mostrar aceleração na criação de vagas. A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, sinalizando mercado de trabalho ainda aquecido.
No mês passado, o Fed manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%. Embora a inflação nos Estados Unidos tenha vindo abaixo do esperado, tanto o índice cheio quanto o núcleo seguem acima da meta oficial, o que mantém o comitê em posição cautelosa, segundo avaliações de mercado.
Repercussão da inflação ao consumidor nos mercados
A inflação ao consumidor também influenciou os ativos globais. No Brasil, o Ibovespa recuava mais de 1% após a divulgação, enquanto o dólar avançava. Nos EUA, os índices futuros reagiram ao número inferior às projeções.
Além disso, o relatório incorporou novos fatores de ajuste sazonal e foi divulgado com leve atraso devido a uma paralisação de três dias do governo federal. Economistas esperavam menor volatilidade neste início de ano, após ruídos estatísticos em 2025.
No cenário atual, a trajetória da inflação ao consumidor será determinante para calibrar as expectativas sobre cortes de juros. Com mercado de trabalho firme e preços ainda acima do objetivo, o Fed enfrenta um equilíbrio delicado entre crescimento e estabilidade de preços.





