A inflação de serviços nos EUA voltou ao centro do debate monetário nesta quarta-feira (11/02), após o payroll de janeiro indicar criação de 130 mil vagas, acima das 55 mil projetadas. Além disso, a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, enquanto a participação avançou para 62,5%.
Embora o número tenha superado expectativas, economistas avaliam que o dado reforça a leitura de mercado de trabalho ainda aquecido. Nesse contexto, a combinação entre salários em alta e desemprego baixo sustenta pressão sobre os preços de serviços, setor mais sensível ao custo da mão de obra.
Inflação de serviços nos EUA e o mercado de trabalho
O relatório do Departamento do Trabalho mostrou ainda que dezembro foi revisado para 48 mil vagas, ante 50 mil anteriores. Ainda assim, a média mensal de 2025 segue em apenas 15 mil postos, bem abaixo de anos recentes.
O resultado indica um mercado menos frágil na margem. Porém, o maior controle imigratório reduziu o número de vagas necessário para manter o desemprego estável, o que ajuda a explicar a queda da taxa mesmo com geração moderada.
Não há mudança estrutural clara. O dado de janeiro foi influenciado por ajustes sazonais e revisão anual de base. Ainda assim, o crescimento do payroll cíclico sinaliza atividade acima do piso recente.
Pressão salarial e política monetária
A inflação de serviços nos EUA permanece sensível ao avanço dos salários. Como esse segmento concentra gastos com saúde, moradia e lazer, o repasse tende a ser mais persistente do que em bens industriais.
O dado afasta um corte iminente de juros. O próximo índice de preços ao consumidor (CPI), previsto para sexta-feira, será determinante para calibrar expectativas.
O Federal Reserve deve manter os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% em março. Os próximos relatórios de emprego e inflação trarão maior clareza sobre a trajetória.
Perspectivas para a inflação de serviços nos EUA
No cenário-base da Suno Research, a taxa básica pode encerrar 2026 próxima de 3,0% ao ano, em um processo gradual de normalização monetária. Entretanto, esse caminho depende da desaceleração consistente dos preços ao consumidor.
Dessa forma, a inflação de serviços nos EUA se consolida como variável-chave para o Fed. Enquanto salários avançarem e o mercado de trabalho operar em nível elevado, a autoridade monetária tende a adotar postura cautelosa, adiando qualquer flexibilização mais imediata.





