CPI dos EUA desacelera, mas Fed mantém cautela

O CPI dos EUA desacelerou para 2,4% em 12 meses e veio abaixo das projeções. Ainda assim, o dado mantém o Fed cauteloso e reforça expectativa de juros estáveis no curto prazo.
Gráfico do CPI dos EUA mostrando desaceleração da inflação em janeiro.
CPI dos EUA desacelera para 2,4% em 12 meses, mas serviços seguem pressionados. Imagem: Canva

O CPI dos EUA subiu 0,2% em janeiro, abaixo da projeção de 0,3%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (14/02). Em 12 meses, a inflação ao consumidor desacelerou de 2,7% para 2,4%, mas o resultado não altera a estratégia do Federal Reserve no curto prazo.

Além disso, o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e acumula alta de 2,5% em 12 meses. Embora também tenha mostrado leve desaceleração frente aos 2,6% anteriores, o dado reforça que o processo de desinflação ainda ocorre de forma gradual.

CPI dos EUA e a pressão dos serviços

Apesar da leitura abaixo do consenso, a composição do CPI dos EUA indica cautela. O grupo de serviços subiu 0,4% no mês, puxado por transportes, que avançaram 1,4%, e por serviços de água, esgoto e coleta de lixo, com alta de 0,7%.

A inflação ligada à habitação (shelter) também avançou 0,2% em janeiro. Aluguéis e aluguel equivalente do proprietário subiram no mesmo ritmo, mantendo a variação anual próxima de 3%. A leitura abaixo das estimativas não elimina a rigidez dos serviços.

Os bens industriais ficaram praticamente estáveis, enquanto a energia ajudou a conter o índice, com recuo de 1,5%, influenciado pela queda de 3,2% na gasolina. Já os alimentos registraram alta de 0,2% no mês.

Índice de preços ao consumidor mantém juros no radar

Mesmo com a desaceleração anual para 2,4%, a inflação acumulada segue acima da meta de 2% do Fed. Por isso, a expectativa do C6 Bank é de manutenção dos juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião de março.

O mercado reforça essa leitura. Segundo o CME FedWatch, a probabilidade de afrouxamento monetário no próximo encontro subiu apenas de 8,4% para 9,7%, mantendo a aposta majoritária em estabilidade.

CPI dos EUA e os próximos passos

O comportamento do CPI dos EUA indica que a desaceleração ocorre, mas ainda depende do arrefecimento mais consistente dos serviços. Enquanto isso, o Federal Reserve observa um mercado de trabalho equilibrado e indicadores de atividade que não apontam desaceleração abrupta.

Dessa forma, o índice de preços ao consumidor reforça a estratégia de manutenção no curto prazo. Segundo a Suno Research, cortes podem ser discutidos apenas no segundo trimestre de 2026, caso o processo de desinflação ganhe tração.

No cenário atual, o CPI dos EUA funciona menos como gatilho para mudança imediata e mais como termômetro da paciência do Fed diante de uma inflação ainda acima da meta.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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