O CPI dos EUA subiu 0,2% em janeiro, abaixo da projeção de 0,3%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (14/02). Em 12 meses, a inflação ao consumidor desacelerou de 2,7% para 2,4%, mas o resultado não altera a estratégia do Federal Reserve no curto prazo.
Além disso, o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e acumula alta de 2,5% em 12 meses. Embora também tenha mostrado leve desaceleração frente aos 2,6% anteriores, o dado reforça que o processo de desinflação ainda ocorre de forma gradual.
CPI dos EUA e a pressão dos serviços
Apesar da leitura abaixo do consenso, a composição do CPI dos EUA indica cautela. O grupo de serviços subiu 0,4% no mês, puxado por transportes, que avançaram 1,4%, e por serviços de água, esgoto e coleta de lixo, com alta de 0,7%.
A inflação ligada à habitação (shelter) também avançou 0,2% em janeiro. Aluguéis e aluguel equivalente do proprietário subiram no mesmo ritmo, mantendo a variação anual próxima de 3%. A leitura abaixo das estimativas não elimina a rigidez dos serviços.
Os bens industriais ficaram praticamente estáveis, enquanto a energia ajudou a conter o índice, com recuo de 1,5%, influenciado pela queda de 3,2% na gasolina. Já os alimentos registraram alta de 0,2% no mês.
Índice de preços ao consumidor mantém juros no radar
Mesmo com a desaceleração anual para 2,4%, a inflação acumulada segue acima da meta de 2% do Fed. Por isso, a expectativa do C6 Bank é de manutenção dos juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião de março.
O mercado reforça essa leitura. Segundo o CME FedWatch, a probabilidade de afrouxamento monetário no próximo encontro subiu apenas de 8,4% para 9,7%, mantendo a aposta majoritária em estabilidade.
CPI dos EUA e os próximos passos
O comportamento do CPI dos EUA indica que a desaceleração ocorre, mas ainda depende do arrefecimento mais consistente dos serviços. Enquanto isso, o Federal Reserve observa um mercado de trabalho equilibrado e indicadores de atividade que não apontam desaceleração abrupta.
Dessa forma, o índice de preços ao consumidor reforça a estratégia de manutenção no curto prazo. Segundo a Suno Research, cortes podem ser discutidos apenas no segundo trimestre de 2026, caso o processo de desinflação ganhe tração.
No cenário atual, o CPI dos EUA funciona menos como gatilho para mudança imediata e mais como termômetro da paciência do Fed diante de uma inflação ainda acima da meta.



