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Ações da Bayer caem após acordo bilionário

As ações da Bayer caíram até 9,2% após anúncio de acordo de US$ 7,25 bilhões sobre o Roundup. Mercado aguarda decisão da Suprema Corte para reavaliar o risco jurídico.
Ações da Bayer recuam após acordo bilionário sobre Roundup
Mercado reage ao acordo de US$ 7,25 bilhões envolvendo o herbicida Roundup. Imagem: Berlinschneid/Wikimedia Commons

As ações da Bayer recuaram até 9,2% nesta quarta-feira (18/02), revertendo a alta de 7,3% do dia anterior, após o anúncio de um acordo de US$ 7,25 bilhões ligado ao herbicida Roundup. Apesar do valor expressivo, investidores passaram a questionar se a proposta é suficiente para reduzir o passivo jurídico herdado da aquisição da Monsanto, em 2018.

Por volta das 10h45 (horário de Brasília), os papéis acumulavam queda superior a 8%, refletindo cautela do mercado diante das incertezas legais ainda abertas. O acordo envolve dezenas de milhares de reclamações atuais e futuras relacionadas ao produto.

Ações da Bayer e o acordo bilionário

O grupo farmacêutico e de proteção de safras informou que chegou a um entendimento para encerrar disputas judiciais sobre responsabilidade do produto. O montante de US$ 7,25 bilhões pretende cobrir processos em curso e possíveis novas demandas.

Contudo, analistas do JPMorgan afirmaram que o acordo segue “na direção certa”, mas alertaram que a companhia não detalhou quantos demandantes precisam aderir para que o plano avance. Segundo o banco, ainda há necessidade de aprovação judicial e existe risco de alta taxa de recusas.

Além disso, a proposta ainda não era o avanço que a maioria dos investidores esperavam. O mercado aguarda maior previsibilidade sobre o desfecho do contencioso.

Disputa judicial sobre o Roundup

A controvérsia envolve ações fundamentadas principalmente em legislações estaduais nos Estados Unidos. A Bayer sustenta que a regulação federal deveria prevalecer, argumento apresentado à Suprema Corte.

Uma série de obstáculos legais ainda precisa ser superada para que o acordo produza efeitos práticos. A decisão da Suprema Corte representa uma variável adicional no cálculo de risco.

Um porta-voz da companhia afirmou que a empresa não especulará sobre suas chances no tribunal. No entanto, encaminhou parecer do procurador-geral dos EUA, divulgado em dezembro, no qual o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação jurídica defendida pela Bayer.

O que pode redefinir as ações da Bayer

A trajetória das ações da Bayer permanece diretamente ligada à decisão da Suprema Corte e ao nível de adesão ao acordo. Enquanto esses pontos não forem esclarecidos, o desconto aplicado ao valuation tende a persistir.

Para o mercado, o passivo judicial associado ao Roundup continua sendo fator determinante para a percepção de risco da companhia. Assim, as ações da Bayer seguem sensíveis a qualquer sinal vindo do Judiciário norte-americano.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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