Anúncio SST SESI

Inflação do Japão recua a 1,5% e pressiona estratégia do BOJ

A inflação do Japão caiu a 1,5%, menor nível em dois anos, enquanto o núcleo segue acima da meta de 2%. O dado pressiona o BOJ em meio a crescimento fraco e reação do iene.
Inflação do Japão e sede do Bank of Japan em Tóquio
Sede do BOJ em Tóquio após divulgação da inflação do Japão de janeiro. Imagem: Canva

A inflação do Japão desacelerou para 1,5% em janeiro, sexta-feira (20/02), atingindo o menor nível desde março de 2022 e alterando o equilíbrio da política monetária no país. O dado cheio ficou abaixo da meta de 2% do Bank of Japan (BOJ), enquanto o núcleo que exclui energia avançou 2,6%, mantendo pressão sobre o banco central.

O índice que exclui alimentos frescos subiu 2% na comparação anual, ante 2,4% no mês anterior. O resultado veio em linha com estimativas do mercado, mas expôs uma divergência relevante entre o recuo pontual do índice cheio e a persistência da inflação subjacente.

Inflação do Japão e o dilema do BOJ

A desaceleração foi influenciada por fatores temporários. Os preços de energia caíram 5,2% em janeiro, refletindo subsídios governamentais para combustíveis. Além disso, os alimentos excluindo frescos subiram 6,2%, no menor ritmo desde março passado, favorecidos por base de comparação elevada.

Ainda assim, o núcleo que exclui energia permaneceu acima da meta do BOJ. Economistas avaliam que esse indicador reflete melhor a dinâmica inflacionária estrutural, especialmente diante da alta dos custos trabalhistas e do avanço dos preços de serviços, que cresceram 1,4% em um ano.

Parte dos analistas projeta nova alta nos juros básicos já em abril, embora o banco central tenha sinalizado que pretende avaliar o momento adequado para a normalização monetária.

Preços ao consumidor e política fiscal

A leitura da inflação japonesa também carrega peso político. O aumento dos alimentos elevou a proporção da renda familiar destinada à alimentação ao maior nível em 44 anos. Diante disso, a primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu suspender o imposto sobre vendas de alimentos por dois anos.

O arroz, que chegou a disparar 101,7% em maio do ano passado, subiu 27,9% em janeiro, ainda em trajetória de desaceleração. Segundo economistas, o arrefecimento recente não elimina a pressão sobre o consumo, sobretudo com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025.

Além disso, o consumo privado avançou no mesmo ritmo, reforçando o quadro de crescimento moderado.

Inflação do Japão e reação do mercado

Após a divulgação, o iene enfraqueceu para 155,20 por dólar, ante 154,98 antes dos dados. O câmbio refletiu a percepção de que o BOJ pode manter cautela, apesar da persistência da inflação subjacente.

A inflação do Japão agora se torna o principal teste para a estratégia do banco central em 2026. Se os salários continuarem avançando e os preços de serviços sustentarem alta, o BOJ poderá retomar o ciclo de aperto monetário. Caso contrário, a autoridade monetária terá de calibrar sua comunicação para evitar ruídos em um ambiente de atividade fraca e pressão fiscal crescente.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp