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Saiba como a tarifa mundial de Trump de 15% pode beneficiar o Brasil

A Tarifa de Trump de 15% pode reduzir em 13,6 pontos percentuais a tarifa média aplicada ao Brasil, segundo análise do Global Trade Alert. Saiba mais.
Tarifa de Trump de 15% e impacto nas exportações brasileiras
Análise indica que nova tarifa pode reduzir a tarifa média aplicada ao Brasil. (Foto: Reprodução)

A tarifa de Trump de 15% imposta a todo o globo pode dar ao Brasil a maior queda na tarifa média aplicada pelos Estados Unidos entre seus parceiros comerciais, segundo análise do Global Trade Alert (GTA) reportada pelo Financial Times. A medida, anunciada no último sábado (21/02), entra em vigor na terça-feira (24/02), com validade de 150 dias.

De acordo com o levantamento, a tarifa média incidente sobre produtos brasileiros tende a recuar 13,6 pontos percentuais com a substituição do regime anterior. Em termos práticos, isso significa que, se um conjunto de produtos pagava, por exemplo, 30% de imposto médio para entrar nos EUA, passaria a pagar algo próximo de 16,4%. Ou seja, quanto menor a tarifa, menor o custo para o exportador e maior a competitividade no mercado americano. Já aumentos de tarifa encarecem o produto e reduzem margem ou volume de vendas.

O governo dos Estados Unidos estruturou a nova alíquota com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso americano. A iniciativa ocorreu após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o uso da IEEPA para sustentar as tarifas anunciadas em 2025.

Segundo Johannes Fritz, economista e diretor-executivo do GTA, a revisão do mecanismo jurídico reduziu mais intensamente as tarifas médias de países que a Casa Branca vinha criticando com mais dureza, como China, Brasil, México e Canadá.

Antes disso, parte das exportações brasileiras enfrentava sobretaxa total de até 50%, resultado da combinação entre tarifa universal e adicional específico. Com a tarifa fixa, esses itens passam a operar sob regime uniforme, embora ainda existam dúvidas sobre mercadorias que antes estavam isentas.

Nova alíquota global pressiona aliados tradicionais

Enquanto o Brasil aparece entre os principais beneficiados na simulação do GTA, o Reino Unido poderá ter aumento médio de 2,1 pontos percentuais. Enquanto isso, o Japão teria alta de 0,4 ponto, e a União Europeia, de 0,8 ponto percentual.

William Bain, chefe da Câmara de Comércio Britânica (BCC), afirmou em entrevista que a decisão “pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas” e reiterou que a prioridade britânica continua sendo reduzir tarifas sempre que possível. A entidade estima que 40 mil empresas exportadoras para o mercado americano poderão ser afetadas.

No Parlamento Europeu, o chefe de comércio indicará proposta de congelamento da ratificação do acordo comercial com Washington até que haja maior clareza sobre a nova política comercial americana.

Tarifa de Trump de 15% e os limites para as exportações brasileiras

Apesar da estimativa de queda relevante na tarifa média, nem toda a pauta exportadora brasileira será impactada da mesma forma. Produtos enquadrados na Seção 232, como aço e alumínio, seguem submetidos a regras específicas sob argumento de segurança nacional.

Documento anterior do MDIC indicava que 22% das exportações brasileiras aos EUA ainda estavam sujeitas à tarifa de 50% no fim do ano passado. Além disso, 27% da pauta estava vinculada à Seção 232, que não sofre alteração com o novo anúncio.

Também não há clareza sobre itens de exportação que haviam obtido isenção, como carne e café, e se passarão a pagar a nova alíquota. Assim, a Tarifa de Trump de 15% reorganiza a estrutura tarifária no curto prazo, mas mantém incertezas enquanto aguarda eventual deliberação do Congresso.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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