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Inadimplência do Brasil em 2025 alcança pico em quase 9 anos

A inadimplência do Brasil sobe a 5,5% em janeiro, maior nível desde 2017, com Selic a 15%, juros de 47,8% e queda nas concessões de crédito no sistema financeiro.
Imagem de uma calculadora com dinheiro para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Inadimplência do Brasil.
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A inadimplência do Brasil atingiu 5,5% em janeiro no crédito com recursos livres, o maior nível desde agosto de 2017, segundo dados divulgados pelo Banco Central, divulgados nesta quarta-feira (25). O indicador subiu frente aos 5,4% de dezembro e acumula alta de 1,1 ponto percentual em 12 meses.

O avanço ocorre em ambiente de Selic a 15% ao ano, patamar que o Banco Central mantém como o mais elevado em quase duas décadas. Além disso, a autoridade monetária indicou que poderá iniciar cortes no próximo mês, caso se confirmem sinais mais claros de desaceleração da atividade.

Inadimplência do Brasil e custo do dinheiro

A elevação da inadimplência coincide com juros médios de 47,8% ao ano nas operações com recursos livres, alta de 1,2 ponto percentual no mês no Brasil. Já no crédito direcionado, a taxa ficou em 11,6% ao ano.

Além disso, o spread bancário nas operações livres avançou para 34,3 pontos percentuais, ante 33,0 pontos em dezembro. O spread mede a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa final cobrada de consumidores e empresas.

No Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro, o Banco Central do Brasil atribuiu parte da alta da inadimplência em 2025 a mudanças nas regras de classificação de crédito. A instituição também afirmou observar “alguns sinais de estabilização” no indicador.

Atraso nos pagamentos e retração do crédito

Os dados mostram que a concessão total de empréstimos caiu 18,9% em janeiro frente a dezembro. Com isso, o estoque de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.

Nas novas operações com recursos livres, a retração foi de 17,2%. Já nos financiamentos com recursos direcionados, que seguem critérios definidos pelo governo, a queda foi mais intensa, de 32,9%.

Esse cenário indica um duplo ajuste: famílias e empresas enfrentam custo financeiro elevado, enquanto bancos reavaliam o risco de concessão em meio à piora do indicador de atraso.

Inadimplência do Brasil e próximos passos da Selic

A inadimplência passou a refletir um ambiente de crédito mais restritivo e atividade econômica em desaceleração, segundo leitura do próprio Banco Central do Brasi. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária sinalizou a possibilidade de reduzir a taxa básica no curto prazo.

Caso o ciclo de cortes se confirme, o efeito sobre a inadimplência dependerá da velocidade de transmissão da política monetária ao sistema financeiro. Enquanto os juros ao consumidor permanecem próximos de 48% ao ano, o risco de atraso segue elevado.

No curto prazo, a inadimplência do Brasil continuará como um dos principais termômetros da qualidade do crédito e da capacidade de pagamento em um ambiente de juros ainda pressionados.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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