O IPCA-15 de fevereiro avançou 0,84% e superou com folga as estimativas do mercado, impondo uma surpresa na prévia da inflação oficial. O índice, divulgado pelo IBGE, veio acima da mediana apurada pela Reuters e elevou o acumulado em 12 meses para 4,10%, distanciando-se das projeções.
A aceleração foi puxada principalmente por educação e transportes, dois grupos com peso relevante na cesta do IPCA-15. O resultado altera a leitura sobre o ritmo de desaceleração dos preços ao consumidor no início do ano. A questão agora é como o dado dialoga com as expectativas para a Selic.
Educação e passagens aéreas concentram a pressão
O grupo Educação subiu 5,20%, com impacto expressivo no índice. Cursos regulares avançaram 6,18%, refletindo reajustes de início de ano letivo, com altas mais intensas no ensino médio, fundamental e pré-escola. Trata-se de um componente sazonal, mas que reforça a rigidez dos serviços.
Em Transportes, a alta foi de 1,72%. As passagens aéreas saltaram 11,64%, enquanto combustíveis como etanol, gasolina e diesel também ficaram mais caros. Além disso, reajustes de ônibus urbano e metrô ampliaram a pressão. Para além da fotografia mensal, o dado sugere que os núcleos ligados à mobilidade seguem sensíveis.
Alimentação perde força, mas não compensa
O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,20%, com desaceleração da alimentação no domicílio. Houve alta do tomate e das carnes, mas quedas em arroz, frango e frutas limitaram o impacto. A alimentação fora do domicílio, por sua vez, cresceu mais que a média dos supermercados.
Em Habitação, a variação foi contida, com queda da energia elétrica sob bandeira verde, compensando parcialmente aumentos em água e esgoto e aluguel residencial. Ainda assim, o alívio não neutralizou a pressão concentrada em serviços.
O que o IPCA-15 de fevereiro sinaliza para a política monetária
O IPCA-15 de fevereiro reforça a percepção de inflação disseminada em segmentos menos voláteis, sobretudo serviços e itens administrados. Embora parte da alta seja sazonal, a leitura acima do consenso tende a influenciar as projeções para o Banco Central.
No curto prazo, o dado pode recalibrar apostas sobre cortes na taxa básica, já que o acumulado anual permanece acima do centro da meta. Se a trajetória dos preços ao consumidor não mostrar arrefecimento consistente, o debate sobre o ritmo de afrouxamento monetário ficará mais restritivo e isso redefine o custo do crédito e o horizonte de consumo das famílias.



