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Confiança empresarial em fevereiro perde força após cinco meses de alta

A confiança empresarial em fevereiro recuou após cinco altas consecutivas, refletindo ajuste nas expectativas diante da Selic mantida e queda mais intensa no Comércio.
Imagem de um homem mexendo em notebook para ilustrar uma matéria jornalística sobre a confiança empresarial em fevereiro.
(Imagem: Campaign Creators/Unsplash)

A confiança empresarial em fevereiro recuou 0,2 ponto e atingiu 92,4 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), encerrando uma sequência de cinco meses consecutivos de alta. Ainda assim, na métrica de médias móveis trimestrais, o indicador mantém trajetória ascendente, com avanço de 0,4 ponto.

O resultado interrompe um ciclo que acumulou ganho de 3,7 pontos desde setembro, sustentado principalmente pelo componente de expectativas. A leitura sugere acomodação após um período de recuperação gradual do ambiente de negócios.

Confiança empresarial em fevereiro e o efeito dos juros

Segundo Aloisio Campelo Junior, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE), a leve queda pode ser interpretada como uma calibragem da trajetória iniciada no segundo semestre. Ele avalia que a manutenção da taxa Selic ao fim de janeiro pode ter influenciado o resultado.

De acordo com o economista, a perspectiva de flexibilização da política monetária vinha sustentando o avanço do otimismo empresarial. Com a taxa básica de juros mantida, parte das empresas pode ter ajustado suas projeções, especialmente em setores mais dependentes de crédito e consumo.

Indicadores empresariais mostram acomodação

O Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) caiu 0,2 ponto, para 92,8 pontos, permanecendo abaixo dos 95 pontos desde maio de 2025. O indicador de nível de demanda recuou 0,8 ponto, enquanto a avaliação sobre a situação corrente dos negócios avançou 0,5 ponto.

Já o Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) também recuou 0,2 ponto, para 92,1 pontos, após acumular alta de 6,6 pontos em cinco meses. As projeções para os próximos três e seis meses apresentaram leve retração, indicando ajuste nas perspectivas de mercado.

No recorte setorial, o Comércio registrou a maior queda, de 4 pontos, para 87,3. Construção e Serviços também recuaram, enquanto a Indústria avançou 0,6 ponto, atingindo 96,7 pontos. Além disso, apenas 47% dos 49 segmentos pesquisados apresentaram alta na confiança, percentual inferior ao mês anterior.

Setores reagem de forma desigual à confiança empresarial em fevereiro

A leitura setorial revela dinâmica heterogênea entre Indústria, Serviços, Comércio e Construção. Enquanto a indústria mantém tendência positiva nas médias móveis, comércio e construção passam a indicar trajetória descendente.

Esse contraste sugere que o ambiente econômico segue condicionado pelo custo do crédito, pela dinâmica do consumo e pela evolução da atividade produtiva. Assim, a confiança empresarial de fevereiro reflete um cenário de transição, no qual expectativas e situação corrente caminham com ritmos distintos.

No contexto atual, o comportamento do índice será observado como termômetro da atividade no primeiro trimestre. Caso o ambiente de juros permaneça inalterado, a confiança empresarial em fevereiro pode continuar oscilando dentro de um intervalo estreito, antecipando decisões de investimento e produção ao longo do semestre.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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