A recuperação judicial do Grupo Fictor avançou após decisão da Justiça de São Paulo que estendeu o processo a subsidiárias do conglomerado e prorrogou a proteção contra execuções. O grupo declarou dívidas próximas de R$ 4 bilhões.
O juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, assinou a decisão. O magistrado ampliou o polo do processo e prorrogou por 20 dias o stay period, mecanismo que suspende bloqueios, cobranças e execuções enquanto o pedido segue em análise.
Ampliação da recuperação judicial do Grupo Fictor
O pedido inicial havia sido protocolado no início de fevereiro por duas empresas: Fictor Holding e Fictor Invest. Posteriormente, o próprio grupo solicitou a inclusão de 28 companhias vinculadas à sua estrutura operacional.
Credores, contudo, apontaram a ausência de outras subsidiárias e pediram a incorporação adicional de 13 empresas. O perito responsável pela constatação prévia reforçou esse entendimento ao avaliar a abrangência societária.
Com a decisão da Justiça paulista, a recuperação judicial do Grupo Fictor passou a alcançar 43 empresas. Entre elas estão Fictor Alimentos, Fictor Asset, Fictor Holding Financeira, Fictor Meios de Pagamentos, Oros Corretora de Seguros, Fictor Securitizadora, Fictor Agro Comércio de Grãos e Fictor Infra e Energia.
Reestruturação empresarial sob supervisão judicial
Ao consolidar as subsidiárias em um único processo de reestruturação empresarial, a recuperação judicial do Grupo Fictor centraliza ativos e obrigações sob supervisão da Justiça de São Paulo.
O juiz determinou prazo de 15 dias para que as novas empresas apresentem a documentação exigida pela Lei de Recuperação e Falências (Lei 11.101/2005). Porém, até a decisão definitiva sobre o processamento integral, o juiz ainda poderá incluir outras companhias no processo.
Advogados especializados que acompanham o caso avaliam que a unificação tende a reduzir questionamentos formais sobre legitimidade e extensão do pedido. Segundo os especialistas, a consolidação facilita a negociação com credores e a apresentação futura de um plano consistente.
Próximos passos da recuperação judicial do Grupo Fictor
A recuperação judicial do Grupo Fictor ocorre meses após o grupo tentar adquirir o Banco Master. Operação que, inclusive, ocorreu apenas um dia antes da liquidação determinada pelo Banco Central. O episódio ampliou o escrutínio sobre sua estrutura financeira.
Agora, o processo entra em fase decisiva. O grupo precisará demonstrar viabilidade econômica, capacidade de reorganizar o passivo e condições de geração de caixa suficientes para cumprir um plano negociado com credores.
Em um ambiente de crédito mais seletivo e maior cobrança por governança corporativa, a recuperação judicial do Grupo Fictor passa a ser acompanhada de perto pelo mercado, pois seu desfecho servirá de parâmetro para casos envolvendo conglomerados com múltiplas controladas.





