As vendas de carros chineses no Brasil registraram alta de 73,2% em fevereiro de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, segundo levantamento da K.LUME Consultoria divulgado nesta semana. No mesmo período, o mercado total cresceu 8,7% sobre janeiro, com 176.472 veículos emplacados.
Além do avanço anual, as marcas chinesas passaram de 21.652 unidades em janeiro para 22.924 em fevereiro, elevando a participação de 9,8% para 16,3%. A consultoria avalia que o segmento pode alcançar até 20% de market share ao longo de 2026.
Carros chineses no Brasil elevam participação
O crescimento ocorreu sobretudo em carros de passeio, que avançaram 12,3% na comparação mensal. Já os comerciais leves recuaram 3,5%, indicando dinâmica desigual entre categorias. No acumulado do ano, o setor soma alta de apenas 1,35%.
Enquanto isso, o segmento de luxo registrou 3.321 unidades, queda de 7,2% sobre janeiro e de 12,9% frente a fevereiro de 2025. A K.LUME interpreta o resultado como reflexo de maior cautela entre consumidores de renda elevada diante dos juros altos e do custo de financiamento.
Avanço das marcas asiáticas altera dinâmica competitiva
O avanço das montadoras da China ocorre em um ambiente de reorganização do mercado automotivo brasileiro. A segunda quinzena concentrou 50,9% das vendas, sugerindo influência do calendário de Carnaval nas decisões de compra.
Houve ainda empate técnico entre vendas diretas e varejo, fenômeno que especialistas do setor associam a uma possível antecipação do ciclo corporativo, tradicionalmente mais forte no segundo trimestre.
No campo tecnológico, a transição energética começa a ganhar espaço. Em fevereiro, foram registrados 15.009 híbridos leves, 2.367 híbridos plug-in, 344 elétricos puros e 8.321 elétricos plug-in, além de 148.385 modelos a motor de combustão interna. O mix revela diversificação gradual da matriz energética.
Venda de carros chineses no Brasil e o cenário de 2026
Entidades do setor projetam crescimento moderado. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) estima alta de cerca de 3% nas vendas de leves em 2026, enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta expansão de 3,7% na produção, para aproximadamente 2,58 milhões de unidades.
Por fim, mesmo com desempenho fraco de caminhões e ônibus, pressionados pelo custo do crédito, o avanço dos carros chineses no Brasil altera o equilíbrio competitivo e amplia a disputa por preço, tecnologia embarcada e eficiência energética, consolidando uma nova fase do setor.





