O salário médio no Brasil alcançou R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (05/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor representa a média dos salários efetivamente recebidos pelos trabalhadores, diferindo do salário mínimo, que é um piso nacional definido por lei. O valor, portanto, trata-se do maior patamar da série histórica da PNAD Contínua, pesquisa que acompanha o mercado de trabalho brasileiro desde 2012.
O rendimento médio habitual cresceu 2,8% no trimestre e 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em R$ 3.466. O resultado superou o recorde anterior de R$ 3.623 registrado em dezembro de 2025, consolidando a trajetória recente de aumento da renda do trabalho no país.
Salário médio no Brasil cresce em diferentes setores
O avanço do salário médio no Brasil também aparece quando se observa o desempenho por atividade econômica. Dados da PNAD Contínua do IBGE, que também apontaram taxa de desemprego reduzida, indicam que diversos setores registraram aumento nos rendimentos ao longo do último ano, com destaque para áreas ligadas à produção primária e à construção.
Entre os segmentos analisados, os maiores aumentos ocorreram nos seguintes grupos:
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: alta de 9% nos rendimentos médios, o equivalente a cerca de R$ 192 a mais no período. O resultado reflete o desempenho do setor agropecuário e sua demanda por mão de obra em diferentes regiões do país.
- Construção civil: crescimento de 5,9%, com acréscimo médio de R$ 157 na remuneração. O setor acompanha o ritmo de obras e investimentos em infraestrutura e habitação.
- Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: aumento de 5,4%, ou aproximadamente R$ 263 nos salários médios, indicando expansão de áreas ligadas a serviços especializados e à economia digital.
- Serviços domésticos: avanço de 4,7%, com cerca de R$ 62 adicionais na remuneração média.
- Administração pública: alta de 3,9%, equivalente a aproximadamente R$ 186. O grupo inclui profissionais de defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.
Esse conjunto de resultados ajuda a explicar o crescimento do salário médio no Brasil observado pela pesquisa, já que diferentes áreas da economia registraram aumento nos rendimentos ao longo do período analisado.
Renda média do trabalhador também avança
A renda média do trabalhador representa o valor médio recebido pelos ocupados no país considerando diferentes formas de inserção no mercado de trabalho, como emprego formal, trabalho informal, atividade por conta própria e empregadores.
Logo, entre as formas de ocupação analisadas pela pesquisa, os resultados mostram:
- Trabalhadores por conta própria: aumento de 7,8% na renda média, equivalente a cerca de R$ 222 a mais em um ano. O grupo inclui profissionais autônomos e pequenos prestadores de serviço.
- Empregadores: crescimento de 7,4%, com acréscimo médio de aproximadamente R$ 624, refletindo o desempenho de negócios próprios e pequenas empresas.
- Trabalhadores informais: alta de 6,4% na remuneração média, cerca de R$ 158 adicionais. Esse grupo reúne ocupações sem vínculo formal de trabalho.
- Empregados com carteira assinada: avanço de 2,8%, com aumento médio de R$ 88 nos rendimentos.
- Trabalhadores domésticos: crescimento de 4,7%, equivalente a aproximadamente R$ 62 a mais na renda média.
- Servidores do setor público: alta de 4,3%, com cerca de R$ 225 adicionais nos rendimentos médios.
Esses resultados ajudam a explicar o avanço recente do salário médio no Brasil. Afinal, a alta dos rendimentos ocorreu em diferentes tipos de vínculo dentro do mercado de trabalho.
Salário médio no Brasil e efeitos sobre a economia
Com a evolução dos rendimentos, a massa de rendimento real, ou seja, a soma de todos os salários pagos aos trabalhadores, alcançou R$ 370,3 bilhões, também um recorde da série da PNAD Contínua. Além disso, o total cresceu 7,3% em um ano, equivalente a cerca de R$ 25,1 bilhões adicionais circulando na economia.
O avanço da renda tende a estimular o consumo das famílias, variável acompanhada de perto pelo Banco Central, já que pode influenciar o comportamento da inflação e as decisões sobre taxa de juros. Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o resultado reforça um ambiente de cautela na política monetária.
Nesse cenário, o salário médio no Brasil passa a integrar um conjunto de indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar o ritmo da economia.





