Terras raras no Brasil possuem valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto. O cálculo é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e considera preços internacionais e dados econômicos recentes. Com isso, o país aparece entre os territórios com maior potencial mineral ligado às novas cadeias tecnológicas globais. Essas cadeias dependem de metais estratégicos, insumos industriais e matérias-primas tecnológicas.
Além disso, o levantamento também aponta reservas de níquel avaliadas em cerca de 12% do PIB. Assim, o peso mineral brasileiro na América Latina se amplia. Esses elementos alimentam setores como baterias avançadas, turbinas eólicas e semicondutores. Também sustentam eletrônicos de alto desempenho e infraestrutura energética. Portanto, tornam-se base para a expansão da transição energética e da inteligência artificial. Ainda assim, o tamanho do subsolo não garante liderança econômica. É justamente nesse ponto que surge a tensão estrutural do setor.
Segundo o BID, a vantagem geológica da região depende de fatores institucionais. Em outras palavras, riqueza mineral sozinha não cria prosperidade duradoura. Para isso, entram variáveis como infraestrutura logística, energia confiável e acesso à água. Além disso, licenciamento ambiental eficiente e segurança regulatória também se tornam essenciais. Sem essas condições, reservas dificilmente se convertem em cadeias produtivas industriais.
Terras raras no Brasil entram na disputa global por minerais críticos
Ao mesmo tempo, o interesse internacional cresce. Isso ocorre porque minerais críticos ganharam peso na reorganização industrial global. Diferentemente das commodities tradicionais, esses recursos combinam alto valor econômico com risco de escassez de oferta. Assim, tornam-se estratégicos para governos e empresas.
Nesse contexto, a China domina grande parte do refino de terras raras. Essa etapa industrial concentra valor e também influência geopolítica. Nos últimos anos, restrições chinesas à exportação desses materiais provocaram saltos de preços. Como consequência, Estados Unidos, União Europeia e outras economias passaram a buscar novas cadeias de suprimento. Portanto, a disputa abre espaço para países com grande base mineral. Ainda assim, exige planejamento industrial consistente.
A corrida global por metais da transição energética
Paralelamente, a demanda por esses materiais tende a crescer nas próximas décadas. Segundo o BID, o consumo global de lítio, essencial para baterias de veículos elétricos, pode avançar entre 470% e 800% até 2050. Tudo dependerá da velocidade das políticas climáticas adotadas no mundo.
Além da eletrificação do transporte, outros fatores ampliam essa procura. A expansão de parques solares, energia eólica e infraestrutura digital eleva o uso de metais industriais. Entre eles estão grafite, níquel, cobre e terras raras. Além disso, esses insumos sustentam o avanço da inteligência artificial, que exige grande capacidade computacional e equipamentos eletrônicos complexos.
Diplomacia mineral ganha espaço na política externa
Diante desse cenário, o potencial das terras raras no Brasil começa a influenciar a agenda diplomática. Recentemente, o país firmou entendimentos com Índia e Coreia do Sul. As conversas tratam de cadeias de fornecimento, processamento mineral e desenvolvimento tecnológico.
Além disso, o tema deve aparecer nas conversas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A discussão reflete o esforço dos Estados Unidos para reduzir a dependência de fornecedores concentrados, sobretudo na Ásia.
Por fim, o desafio brasileiro vai além do tamanho das reservas. O ponto central é transformar terras raras no Brasil em uma política industrial integrada. Para isso, será necessário avançar em refino, tecnologia e integração produtiva. Caso contrário, o país pode repetir um padrão histórico: possuir recursos estratégicos enquanto outras economias capturam a maior parte do valor nas cadeias globais.



