O aumento de capital do BRB foi proposto pelo conselho de administração do Banco de Brasília nesta terça-feira (10), em um plano que pode captar até R$ 8,86 bilhões por meio da emissão de novas ações. A operação ainda depende da aprovação dos acionistas em assembleia marcada para 18 de março.
Se a operação atingir o valor máximo, o capital social da instituição pode saltar de R$ 2,34 bilhões para cerca de R$ 11,2 bilhões. Sendo assim, amplia de forma expressiva a base patrimonial do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Aumento de capital do BRB: estrutura da operação
O plano prevê a emissão de até 1,68 bilhão de novas ações, que serão ofertadas ao preço de R$ 5,29 por papel. Esse valor representa um prêmio de 12,8% em relação ao fechamento das ações na segunda-feira, quando os papéis encerraram o pregão a R$ 4,69.
Com a operação, o banco busca fortalecer seus indicadores de capitalização, ampliar a capacidade de absorver perdas e preservar o enquadramento nas regras do Banco Central. Em nota, a instituição afirmou que a iniciativa deve reduzir a alavancagem do conglomerado prudencial e ampliar a capacidade de enfrentar perdas esperadas ou inesperadas.
Além disso, o reforço patrimonial tende a ampliar o espaço para novas operações de crédito. Também pode fortalecer o financiamento das atividades do banco dentro do sistema financeiro.
Estratégia para recompor patrimônio do banco
O aumento de capital ocorre em meio a um esforço mais amplo do Governo do Distrito Federal para fortalecer o BRB e estabilizar sua posição financeira.
Um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza o governo a adotar diferentes instrumentos de apoio à instituição. Entre as alternativas estão aportes de recursos públicos, venda de imóveis pertencentes ao DF e contratação de empréstimos de até R$ 6,6 bilhões.
O texto também permite a transferência de terrenos e outros ativos para o banco. Esses bens poderão ainda ser utilizados em operações estruturadas, como fundos imobiliários, para levantar recursos adicionais.
Aumento de capital do BRB e o contexto recente
A iniciativa ocorre após operações envolvendo o Banco Master, que pressionaram as contas da instituição financeira. Entre 2024 e 2025, o BRB realizou investimentos estimados em R$ 16,7 bilhões no banco privado. Após a liquidação do Master, parte desses ativos acabou bloqueada ou deixou de integrar o patrimônio do banco público.
Auditorias conduzidas pelo Banco Central, além de análises de órgãos de controle e consultorias independentes, indicam que as perdas potenciais dessas operações podem alcançar cerca de R$ 8 bilhões.
Diante desse cenário, o aumento de capital do BRB surge como uma tentativa de recompor o patrimônio da instituição. Além disso, fortalece a liquidez e preserva os parâmetros regulatórios exigidos para o funcionamento do sistema bancário. O desfecho da assembleia de acionistas poderá definir o alcance real desse plano e o rumo financeiro do banco nos próximos anos.





