A Casa dos Ventos elevou o plano de expansão em energias renováveis e agora projeta alcançar 11 gigawatts (GW) de capacidade instalada até o fim da década. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (12/03), durante a Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), e amplia a meta anterior da empresa, que previa chegar a 10 GW.
O volume pretendido representa uma escala expressiva: a geração planejada equivale a quase oito vezes o consumo atual do Ceará, estimado em cerca de 1,5 GW. O dado ajuda a dimensionar o alcance do novo ciclo da companhia no mercado de energia renovável.
Casa dos Ventos e a expansão da capacidade
Atualmente, a companhia possui 4,3 GW em projetos já em operação ou em construção. Parte da expansão está em andamento em diferentes frentes de geração.
Entre os empreendimentos em obras estão 0,3 GW de energia eólica e 1,2 GW de energia solar. Ao mesmo tempo, outros projetos caminham para a etapa de implantação, incluindo projeto de torre eólica mais alta do Brasil.
Na carteira de pré-construção da Casa dos Ventos estão 3,8 GW em parques eólicos e 2,3 GW em projetos solares e híbridos, combinação que amplia a flexibilidade da geração.
Além dessas iniciativas, o pipeline de desenvolvimento soma 30,3 GW, com predominância de projetos ligados à geração solar, soluções híbridas e novos modelos de infraestrutura energética.
Estratégia de demanda e novos negócios
Segundo o diretor de Comercialização da Casa dos Ventos, Itamar Lessa, os planos evoluíram desde 2023, período em que o mercado registrava excesso de oferta e preços mais baixos de energia.
De acordo com o executivo, a criação de uma área dedicada a novos negócios abriu novas frentes de crescimento. Entre elas estão projetos ligados a hidrogênio verde, amônia verde e fornecimento para data centers de hiperescala associados à expansão da infraestrutura digital.
A companhia também observa oportunidades na eletrificação industrial. Segundo Lessa, setores que utilizam GLP ou diesel avaliam alternativas elétricas, em parte pela recente crise do petróleo que motivou o governo a tomar medidas, incluindo o uso de caldeiras industriais eletrificadas em processos produtivos.
Casa dos Ventos diante dos desafios do setor
O avanço da geração renovável no país também traz desafios operacionais. Um dos principais é o curtailment, quando o sistema elétrico reduz a produção de energia por restrições operacionais. Lessa afirma que, desde 2023, o setor passou a lidar com maior conservadorismo na operação do sistema. E, além disso, com crescimento acelerado da geração distribuída, fatores que ampliaram episódios de cortes de produção.
Para enfrentar o problema, a companhia desenvolve soluções de carga flexível. Uma das iniciativas, inclusive, envolve infraestrutura de criptomineração, capaz de absorver energia nos momentos de pico de geração. O primeiro projeto deve entrar em operação entre julho e agosto.
Outra alternativa considerada envolve exportar excedentes de eletricidade para Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, aproveitando interconexões de transmissão já existentes. Segundo Lessa, a linha entre Brasil e Argentina possui capacidade aproximada de 2,5 GW, o que permitiria aproveitar melhor a oferta de energia renovável.
Nesse contexto, a estratégia da Casa dos Ventos combina ampliação da geração com a criação de novos polos de consumo energético. Conectando, assim, expansão da matriz elétrica, desenvolvimento industrial e crescimento da infraestrutura digital na América do Sul.





