A inflação de fevereiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,70%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado acelerou em relação a janeiro, quando o índice havia avançado 0,33%.
Com o novo resultado, a inflação de fevereiro levou o IPCA a acumular 1,03% no primeiro bimestre de 2026. No período de 12 meses, o indicador registra 3,81%, conforme os dados divulgados pelo IBGE.
O índice acompanha a variação de preços para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos e integra o sistema oficial de índices de preços do instituto. No mesmo sistema também é calculado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), voltado às famílias de renda menor, o que explica diferenças pontuais entre os dois indicadores.
Educação lidera impacto na inflação em fevereiro
O grupo de Educação apresentou a maior variação do mês, reflexo dos reajustes de mensalidades escolares no início do ano letivo.
Principais números do grupo:
- Educação: +5,21%
- Impacto no índice: 0,31 ponto percentual
Subitens com maiores reajustes:
- Ensino médio: +8,19%
- Ensino fundamental: +8,11%
- Pré-escola: +7,48%
- Cursos regulares: +6,20%
Segundo o IBGE, os aumentos refletem o período tradicional de atualização das mensalidades escolares.
Transportes também pressionaram o índice
Já o grupo de Transportes avançou 0,74%, exercendo o segundo maior impacto sobre a inflação do mês de fevereiro.
Portanto, entre os itens com maior influência estão:
- Passagens aéreas: +11,40%, que, inclusive, encerraram 2025 abaixo do pico pós-pandemia
- Seguro voluntário de veículos: +5,62%
- Conserto de automóvel: +1,22%
- Ônibus urbano: +1,14%
Além disso, reajustes nas tarifas de transporte coletivo ocorreram em diversas capitais brasileiras durante o período analisado.
Alimentos e combustíveis tiveram comportamento misto
Alguns itens da cesta de consumo apresentaram altas expressivas, enquanto outros ajudaram a conter o avanço do grupo alimentação na inflação de fevereiro.
Maiores altas do IPCA
- Açaí: +25,29%
- Feijão-carioca: +11,73%
- Ovo de galinha: +4,55%
- Carnes: +0,58%
Quedas registradas no IPCA
- Frutas: −2,78%
- Óleo de soja: −2,62%
- Arroz: −2,36%
- Café moído: −1,20%
Porém, nos combustíveis, o comportamento foi heterogêneo:
- Gasolina: −0,61%
- Gás veicular: −3,10%
- Etanol: +0,55%
- Diesel: +0,23%
Inflação de fevereiro varia entre as regiões
Além disso, a variação do índice de preços ao consumidor também apresentou diferenças inflacionárias entre as áreas pesquisadas pelo IBGE.
- Maior alta: Fortaleza (+0,98%)
- Menor variação: Rio Branco (+0,07%)
Em Fortaleza, o resultado refletiu principalmente a alta em cursos regulares e gasolina, enquanto em Rio Branco houve influência da queda em energia elétrica residencial e automóveis novos.
A leitura da inflação de fevereiro do IPCA, portanto, indica que os reajustes ligados ao início do ano letivo tiveram papel central no avanço do índice. Ao mesmo tempo, transportes e alguns alimentos contribuíram para a pressão sobre os preços no início de 2026.





