Boletim Focus eleva projeção da inflação e Selic para 12,25% em 2026

O Boletim Focus elevou a projeção de inflação para 4,10% e da Selic para 12,25% em 2026. Ao mesmo tempo, o relatório aponta queda nas estimativas do dólar e crescimento econômico moderado nas projeções do mercado.
Boletim Focus projeções de inflação e Selic para 2026
Relatório do Banco Central mostra inflação e juros mais altos nas projeções para 2026. Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Boletim Focus elevou novamente as projeções para inflação e juros em 2026, reforçando a leitura de que o custo do dinheiro seguirá elevado na economia brasileira. A mediana do mercado para o IPCA subiu para 4,10%, enquanto a expectativa para a taxa Selic ao final do ano avançou para 12,25%, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela um contraste relevante nas expectativas macroeconômicas. A projeção para o dólar caiu para R$ 5,40, registrando a quarta queda consecutiva nas estimativas do mercado. O dado sugere um cenário em que a inflação segue pressionada mesmo com um câmbio projetado mais estável, combinação que chama atenção de analistas que acompanham a trajetória de política monetária e juros futuros. Contudo, o quadro ganha contornos mais complexos quando se observam outros indicadores do relatório.

Inflação projetada avança mesmo com câmbio mais baixo

No detalhamento do Boletim Focus, o mercado elevou a previsão de inflação para 2026 de 3,91% para 4,10%. Há quatro semanas, a mediana estava em 3,95%, o que mostra uma revisão gradual nas expectativas para o comportamento dos preços ao consumidor.

Outros indicadores de inflação também apresentaram alteração. O IGP-M, índice amplamente utilizado em contratos e reajustes, passou a ter projeção de 3,40% para 2026, acima dos 3,19% estimados na semana anterior. Já a expectativa para preços administrados, categoria que inclui tarifas públicas e combustíveis, avançou para 3,85% no mesmo horizonte.

Ainda que as revisões apareçam no curto prazo, as estimativas mais longas permanecem praticamente ancoradas. O mercado segue projetando IPCA de 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029, números próximos do centro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Juros permanecem elevados no horizonte do mercado

O avanço da inflação projetada ajuda a explicar a revisão nas expectativas para a taxa básica de juros. A mediana do mercado para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25% ao ano, configurando a segunda elevação consecutiva nas projeções.

Para os anos seguintes, o cenário permanece relativamente estável. As estimativas indicam Selic de 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029, sinalizando que o mercado ainda vê uma trajetória lenta de redução do custo do crédito.

Esse ambiente de juros elevados, combinado com inflação acima do desejado, ajuda a explicar por que as projeções de crescimento seguem moderadas. E é justamente nesse ponto que o relatório revela outro aspecto importante do cenário econômico projetado.

Crescimento segue limitado nas projeções de longo prazo

A mediana das estimativas para o PIB brasileiro em 2026 foi revisada levemente para 1,83%, ante 1,82% na semana anterior. Embora a mudança seja pequena, ela confirma um padrão recorrente nas projeções recentes: avanço econômico modesto diante de condições financeiras restritivas.

Para os anos seguintes, o cenário pouco muda. O mercado projeta crescimento de 1,80% em 2027 e expansão de 2,00% em 2028 e 2029, patamar considerado moderado para uma economia emergente do tamanho do Brasil.

O que o Boletim Focus revela sobre o cenário econômico

A leitura combinada do Boletim Focus mostra um ambiente macroeconômico marcado por três vetores simultâneos: inflação ainda pressionada, juros elevados e crescimento econômico moderado. Mesmo com projeção de dólar mais baixo, as expectativas de preços seguem acima do ideal, o que mantém o custo do crédito elevado.

Esse quadro sugere que o debate econômico nos próximos anos deverá girar menos em torno de estímulos e mais sobre a capacidade do país de sustentar crescimento com inflação controlada. Em outras palavras, o desafio não será apenas reduzir juros, mas criar condições para que a economia avance sem reacender pressões inflacionárias.

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Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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