Boletim Focus mostra Selic maior para 2026 e dólar menor nas projeções do mercado

O Boletim Focus mostra revisão nas expectativas do mercado: projeção da Selic para 2026 sobe para 12,13%, enquanto estimativa para o dólar recua a R$ 5,41. Inflação e crescimento seguem praticamente estáveis nas projeções.
Boletim Focus projeções do mercado para Selic e dólar
Boletim Focus reúne semanalmente expectativas do mercado para juros, inflação, câmbio e PIB no Brasil. Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Boletim Focus desta semana trouxe um ajuste relevante nas apostas do mercado financeiro: analistas elevaram a projeção da taxa Selic para 2026 ao mesmo tempo em que reduziram a estimativa para o dólar no mesmo horizonte. A mudança revela uma recalibração das expectativas sobre política monetária, mesmo com projeções relativamente estáveis para inflação e crescimento econômico.

Segundo o levantamento semanal do Banco Central, a expectativa para a Selic em 2026 subiu para 12,13% ao ano, acima dos 12,00% previstos na semana anterior. Para os anos seguintes, as projeções permanecem praticamente inalteradas: 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029, sugerindo uma trajetória de juros ainda elevada dentro do horizonte de política econômica.
Para além da leitura imediata, o ajuste expõe uma estratégia mais cautelosa nas apostas do mercado.

Câmbio recua nas estimativas enquanto juros sobem

Ao mesmo tempo em que elevou a expectativa para a taxa básica de juros, o mercado reduziu a previsão para o câmbio em 2026. A nova projeção indica R$ 5,41 por dólar, configurando a terceira queda consecutiva nas estimativas captadas pelo Boletim Focus.

Nos anos seguintes, o cenário permanece estável. As projeções indicam R$ 5,50 por dólar para 2027, 2028 e 2029, sinalizando expectativa de relativa estabilidade da taxa de câmbio, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

A leitura combinada desses indicadores sugere que o mercado vê o real sustentado por um diferencial de juros alto frente a economias desenvolvidas. Contudo, essa interpretação convive com outra variável relevante do relatório: a trajetória da inflação.

Inflação permanece próxima do centro da meta

No campo dos preços, o Boletim Focus manteve praticamente inalteradas as estimativas para o IPCA. A projeção para 2026 permanece em 3,91%, enquanto a expectativa para 2027 avançou levemente para 3,80%.

Para horizontes mais longos, o mercado segue apostando em estabilidade. As projeções indicam 3,50% para 2028 e 2029, patamar mantido há várias semanas no levantamento do Banco Central.

Além disso, os preços administrados, que incluem tarifas públicas e combustíveis, permanecem projetados em 3,67% para 2026, sem alteração recente. Esse conjunto de estimativas reforça a leitura de inflação relativamente controlada no horizonte do relatório.

Ainda assim, o relatório revela outro ponto de atenção: o ritmo de expansão da economia brasileira.

Crescimento econômico segue limitado nas projeções

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam expansão moderada. O Boletim Focus manteve a expectativa de crescimento de 1,82% em 2026, enquanto a estimativa para 2027 segue em 1,80%.

Para horizontes mais longos, o mercado continua projetando crescimento próximo de 2,00% ao ano, tanto em 2028 quanto em 2029. O dado reforça a percepção de uma economia em expansão moderada, ainda condicionada por fatores como juros elevados, condições financeiras e investimento produtivo.

A combinação desses indicadores sugere um cenário em que o mercado ajusta gradualmente suas expectativas, mesmo sem mudanças abruptas nas projeções de inflação ou crescimento.

No conjunto das estimativas, o Boletim Focus indica que a política monetária deve permanecer restritiva por mais tempo do que se imaginava semanas atrás. Se essa leitura persistir, o debate econômico tende a girar menos em torno da inflação e mais sobre quanto tempo a economia brasileira conseguirá crescer com juros ainda elevados.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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