O superávit comercial do Brasil deve atingir US$ 90 bilhões em 2026, segundo nova projeção divulgada nessa sexta-feira (03/07) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A revisão representa um salto de quase US$ 18 bilhões em relação à estimativa de abril e coloca o país no caminho do segundo maior saldo comercial de sua história.
A mudança reflete uma aceleração maior que a esperada tanto das exportações quanto das importações. Ainda assim, o avanço das vendas externas permaneceu mais intenso, ampliando o saldo positivo da balança comercial e fortalecendo a entrada de dólares na economia.
O efeito prático aparece no fluxo de divisas, na arrecadação ligada às exportações e na capacidade do país de sustentar um resultado externo robusto mesmo em um ambiente internacional marcado por volatilidade dos preços das commodities.
Por que o superávit comercial do Brasil aumentou tanto
A principal mudança ocorreu nas expectativas para as exportações brasileiras. O MDIC passou a projetar vendas externas de US$ 394,4 bilhões, aumento de US$ 30,2 bilhões em relação à previsão divulgada em abril.
As importações também cresceram nas estimativas, alcançando US$ 304,4 bilhões, alta de US$ 12,3 bilhões sobre a projeção anterior.
O resultado mostra que o comércio exterior acelerou nos dois sentidos. A diferença é que as exportações avançaram em ritmo suficiente para ampliar o saldo positivo da balança.
Entre os fatores que sustentaram essa revisão do superávit comercial do Brasil, destacam-se:
- Recorde das exportações em junho, com US$ 36,3 bilhões;
- Forte valorização internacional do petróleo;
- Crescimento das vendas de soja, carnes, combustíveis e farelo de soja;
- Avanço das exportações da indústria extrativa, agropecuária e indústria de transformação.
Esse conjunto levou o governo a revisar para cima praticamente todos os indicadores do comércio exterior.
Petróleo virou o principal motor da revisão
O petróleo bruto respondeu pelo principal impulso da revisão das projeções do MDIC. As exportações do produto cresceram quase 80% em valor, refletindo principalmente a alta de 67,6% nos preços internacionais e, em menor medida, o aumento de 6,8% no volume embarcado.
O avanço ocorreu mesmo após a criação do imposto de exportação de 12%, implementado pelo governo em março durante a escalada das tensões no Oriente Médio. A valorização da commodity compensou o efeito do tributo e manteve o petróleo como o principal responsável pelo crescimento das receitas externas.
Além de ampliar o superávit comercial, esse movimento tende a fortalecer a arrecadação federal do Brasil. Como o recolhimento do imposto ocorre com defasagem de cerca de dois meses, parte do impacto fiscal das exportações de junho ainda será incorporada às receitas do governo.
O que o novo saldo revela sobre a economia brasileira
Um superávit comercial dessa magnitude significa que o Brasil continua vendendo ao exterior mais do que compra de outros países.
Ao mesmo tempo, o crescimento das importações mostra que a atividade econômica também segue aquecida. Em junho, aumentaram as compras de:
- Bens de consumo (+34%);
- Combustíveis (+11,6%);
- Bens intermediários (+10,9%);
- Bens de capital (+5,7%).
Esse comportamento reduz a interpretação de que o superávit decorre apenas da fraqueza da demanda doméstica.
A nova projeção do MDIC indica justamente o contrário: exportações cresceram em velocidade suficiente para superar uma expansão também relevante das importações.
Se confirmada até dezembro, a balança comercial encerrará 2026 com o segundo maior superávit comercial do Brasil da série histórica, atrás apenas do recorde registrado em 2023. Além disso, o saldo ficará 32,3% acima do resultado obtido em 2025, consolidando um dos melhores desempenhos do comércio exterior brasileiro nos últimos anos.





