Oncoclínicas e Porto Seguro iniciaram uma nova etapa de negociação no setor de saúde privada. Na noite desse domingo (15/03), a Oncoclínicas (ONCO3) confirmou a assinatura de um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro (PSSA3) para avaliar a criação de uma nova empresa voltada às operações de clínicas oncológicas.
Segundo comunicado ao mercado, o documento foi firmado na sexta-feira e prevê a constituição de uma sociedade que reuniria ativos e operações atualmente controlados pela Oncoclínicas. A proposta prevê aporte de R$ 500 milhões da Porto Seguro e a subscrição de ações ordinárias que dariam à seguradora o controle do capital votante da nova companhia.
Oncoclínicas Porto Seguro e a estrutura da nova sociedade
De acordo com a Oncoclínicas, a nova empresa, chamada provisoriamente de NewCo, concentraria as clínicas oncológicas atualmente administradas pelo grupo. O plano inclui reorganizar essas operações dentro de uma estrutura societária separada.
Nesse modelo, a Porto Seguro passaria a deter o controle do capital votante e uma participação mínima de 30% do capital social, conforme a companhia informou em comunicado ao mercado. O arranjo indica uma possível reorganização da operação clínica dentro da rede de oncologia.
A empresa também afirmou que o term sheet possui natureza preliminar e não vinculante. Por esse motivo, a companhia afirmou que não considerou necessária a divulgação de fato relevante naquele momento. A possível fusão ocorre meses após uma exposição contábil da Oncoclínicas ser estimada em R$ 216 milhões após liquidação do Banco Master
Negociação exclusiva no setor de oncologia privada
Como parte do acordo inicial, a Oncoclínicas informou que se comprometeu a negociar exclusivamente com a Porto Seguro por 30 dias. Esse período deve permitir que as companhias discutam os termos finais da eventual constituição da nova sociedade.
No sábado, a Porto Seguro afirmou em comunicado que não havia documento vinculante assinado com a Oncoclínicas. A manifestação ocorreu após notícia publicada pelo Brazil Journal sobre a negociação entre as empresas.
No domingo, porém, a Oncoclínicas confirmou a existência do documento preliminar. A companhia também informou que dois conselheiros, Marcos Grodezky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos, registraram voto contrário à assinatura do acordo. Trata-se de uma nova movimentação envolvendo a Oncoclínicas no quesito fusão de operações. Em 2024, rumores no mercado apontavam uma possível uma fusão entre a empresa e o grupo de medicina diagnóstica Alliança, algo que não ocorreu.
Acordo entre Oncoclínicas e Porto Seguro acompanha mudança no comando financeiro
Paralelamente às tratativas societárias, a companhia também anunciou mudanças na liderança financeira. No mesmo domingo, a Oncoclínicas informou a renúncia de Camile Loyo Faria aos cargos de vice-presidente executiva, diretora financeira e diretora de relações com investidores.
Em ata do conselho de administração, a empresa informou que Marcel Cecchi Vieira assumirá os mesmos cargos após eleição aprovada pela maioria dos conselheiros. Além disso, a companhia acrescentou que Vieira assumirá as funções interinamente, sem divulgar os motivos que levaram à saída da executiva.
Reorganização no setor de saúde privada amplia busca por capital
A negociação entre Oncoclínicas e Porto Seguro ocorre em um momento de reorganização no setor de saúde privada. Nos últimos anos, operadoras, seguradoras e redes médicas passaram a buscar novas estruturas societárias e fontes de capital para sustentar expansão e reorganizar ativos especializados.
Nesse contexto, parcerias entre empresas de assistência médica, grupos hospitalares e seguradoras vêm ganhando espaço como alternativa para financiar crescimento, ampliar presença regional e estruturar redes de atendimento em áreas de alta complexidade, como oncologia, um dos segmentos mais intensivos em investimento dentro da medicina privada.





