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‘Dark Horse’, filme sobre Bolsonaro, é citado em apuração sobre desvio de recursos em SP

A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos de um contrato público do programa WiFi Livre SP foram desviados para empresas ligadas à produtora do filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Cartaz promocional do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, que aparece ao centro usando a faixa presidencial diante do Palácio do Planalto.
Cartaz promocional do filme Dark Horse; investigação da Polícia Civil apura se recursos ligados a um contrato público circularam por empresas associadas à produtora responsável pelo filme (Foto: Reprodução)

A investigação sobre um contrato milionário do programa WiFi Livre SP colocou o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, no centro de um caso que mistura recursos públicos, organizações sociais e suspeitas de movimentações financeiras irregulares. Nesta segunda-feira (01/06), a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados em endereços ligados à produtora responsável pelo longa.

As buscas fazem parte de uma apuração que investiga possível superfaturamento e desvio de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, que também controla a Go UP Entertainment, produtora do filme sobre o ex-presidente.

O avanço da investigação aumenta a pressão sobre um projeto que até então estava associado principalmente à disputa política e ao financiamento privado. Agora, o foco das autoridades passa a incluir a origem e o destino de recursos ligados a contratos públicos.

Como Dark Horse, o filme de Bolsonaro, entrou na investigação

A operação não foi aberta para investigar diretamente a produção cinematográfica. O ponto de partida foi um contrato firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para prestação de serviços no programa WiFi Livre SP.

Ao analisar documentos e movimentações financeiras relacionadas à produção, os investigadores passaram a identificar possíveis conexões entre entidades administradas pela mesma dirigente.

Segundo manifestação encaminhada à Justiça, a polícia trabalha com a hipótese de que recursos vinculados ao contrato público possam ter circulado por empresas ligadas a Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme sobre Bolsonaro.

O delegado responsável pela investigação afirma existir suspeita de confusão patrimonial entre estruturas administradas pela investigada.

Entre os elementos citados pela apuração estão:

  • contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil;
  • empresas ligadas à mesma gestão;
  • movimentações financeiras consideradas suspeitas;
  • possível utilização de organizações para circulação dos recursos.

Os investigadores apuram se parte dos valores financiou atividades relacionadas à produção do longa, algo que os responsáveis negam.

Operação amplia riscos para produtora e contrato público

A Polícia Civil realizou buscas na sede da Go UP Entertainment, em endereços ligados à investigada, na sede do Instituto Conhecer Brasil e também em dependências da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

O objetivo é recolher documentos, registros financeiros e informações que permitam rastrear o caminho do dinheiro movimentado pelas organizações sob análise.

A investigação ganhou força após pedidos de acesso a dados financeiros de Karina Ferreira da Gama e da produtora do filme sobre Bolsonaro.

A Prefeitura de São Paulo afirmou, em nota, não ter identificado irregularidades na execução dos serviços contratados até o momento. A administração municipal declarou que tomará providências caso a investigação encontre problemas.

Karina também já negou qualquer ligação entre recursos públicos e a produção de Dark Horse. Segundo sua versão, o filme recebeu financiamento sem participação de verbas governamentais e a contratação do instituto ocorreu de forma regular.

O que está em jogo além do filme sobre Bolsonaro

O caso ultrapassa os limites de uma investigação sobre uma obra audiovisual. A principal questão para os investigadores é descobrir se gestores direcionaram estruturas criadas para executar políticas públicas a finalidades diferentes das previstas em contrato.

Por isso, o interesse da polícia de São Paulo não está concentrado apenas em quem financiou o filme ou em como a produção foi estruturada. O foco central é determinar se houve desvio de recursos públicos e quais caminhos esse dinheiro percorreu.

Esse novo estágio da apuração transforma Dark Horse, o filme sobre Bolsonaro, em um dos elementos mais sensíveis do caso. O que antes era uma investigação sobre a execução de um contrato municipal agora avança para uma análise mais ampla sobre movimentação financeira. Fatores que, portanto, podem definir os próximos desdobramentos jurídicos e políticos da investigação.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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