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PCC e CV entram em lista dos EUA; conheça os grupos da América Latina enquadrados como terroristas

Os EUA classificaram PCC e Comando Vermelho como terroristas internacionais. A decisão coloca o Brasil na mesma lista de cartéis e facções latino-americanas já enquadrados por Washington.
Imagem de uma comunidade ocupada por facções para ilustrar uma matéria jornalística sobre o PCC e o CV.
PCC e CV entram em lista dos EUA com grupos da América Latina. (Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Brasil passou a integrar oficialmente a lista de países cujos grupos criminosos são tratados pelos Estados Unidos como organizações terroristas internacionais. A decisão de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) amplia a pressão sobre as maiores facções brasileiras e insere o país em uma estratégia regional adotada pelo governo Donald Trump.

  • Abaixo você confere os países da América Latina que possuem grupos terroristas, segundo o governo americano.

Mais do que uma medida de segurança pública, a classificação aproxima as facções brasileiras dos cartéis mexicanos e de organizações criminosas da Venezuela, Colômbia, Haiti, Equador e El Salvador, que já haviam recebido o mesmo enquadramento.

A mudança transforma o Brasil em parte de uma política continental de combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional, elevando o alcance das investigações financeiras e da cooperação internacional.

Por que os EUA classificaram PCC e CV como terroristas

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as duas facções possuem influência criminosa que ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da região, incluindo território americano.

Segundo Washington, PCC e Comando Vermelho participam de redes ligadas ao tráfico internacional de drogas, movimentação ilícita de recursos e outras atividades transnacionais associadas ao crime organizado.

A classificação entra em vigor em 5 de junho e amplia instrumentos que já vinham sendo utilizados contra cartéis latino-americanos.

Entre as medidas facilitadas pela designação estão:

  • congelamento de ativos;
  • sanções financeiras;
  • compartilhamento de inteligência;
  • restrições de visto;
  • monitoramento internacional;
  • criminalização do apoio material às organizações.

Quais países da América Latina já tiveram grupos enquadrados pelos EUA

A entrada das facções brasileiras ocorre dentro de uma ofensiva regional iniciada após o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Até agora, os Estados Unidos haviam classificado como terroristas organizações ligadas a seis países da América Latina:

  • México;
  • Venezuela;
  • Colômbia;
  • Haiti;
  • Equador;
  • El Salvador.

Entre os grupos já enquadrados estão nomes conhecidos do narcotráfico internacional, como Cartel de Sinaloa, CJNG, Tren de Aragua, Clan del Golfo e Cartel de los Soles.

Com a inclusão do PCC e do CV, o Brasil passa a integrar esse grupo de países considerados prioritários na estratégia americana contra organizações criminosas transnacionais.

Por que Donald Trump ampliou a lista de organizações terroristas na região

A política adotada por Donald Trump busca ampliar o alcance das autoridades americanas sobre estruturas financeiras e operacionais do crime organizado.

Na visão da Casa Branca, cartéis e facções deixaram de representar apenas um problema policial e passaram a ser tratados como ameaças à segurança nacional.

O governo americano argumenta que essas organizações movimentam bilhões de dólares, operam em diversos países e possuem capacidade de influenciar fluxos migratórios, violência armada e tráfico internacional de drogas.

Por esse motivo, Washington passou a utilizar instrumentos normalmente associados ao combate ao terrorismo para atingir estruturas financeiras e logísticas dessas organizações.

O que diferencia PCC e CV dos cartéis mexicanos

Embora tenham sido enquadrados na mesma categoria jurídica, PCC e Comando Vermelho possuem características diferentes dos grandes cartéis mexicanos.

Os cartéis do México tradicionalmente controlam rotas internacionais de produção e distribuição de drogas para os Estados Unidos.

Já as facções brasileiras construíram sua força principalmente a partir do sistema prisional e da expansão de redes de tráfico dentro da América do Sul.

Nos últimos anos, porém, autoridades americanas passaram a enxergar uma aproximação entre essas estruturas criminosas. O crescimento das conexões internacionais das facções brasileiras elevou a preocupação de Washington sobre sua influência além das fronteiras nacionais.

Essa avaliação ajudou a sustentar a decisão que colocou PCC e CV na mesma lista de organizações já ocupada por alguns dos grupos criminosos mais poderosos da América Latina.

O que muda para o Brasil após a decisão

O principal impacto imediato ocorre no campo financeiro e da cooperação internacional.

A classificação aumenta a capacidade dos Estados Unidos de rastrear recursos, compartilhar informações com autoridades estrangeiras e ampliar investigações ligadas ao crime organizado.

Também cresce a pressão sobre redes internacionais utilizadas para movimentação de dinheiro e operações associadas ao narcotráfico.

Ao incluir as facções brasileiras nessa lista, Washington envia um sinal claro de que passou a tratar o crime organizado do Brasil como parte de uma ameaça regional. Com isso, PCC e CV deixam de ser apenas uma questão doméstica e passam a ocupar espaço na principal estratégia americana de combate às organizações criminosas da América Latina.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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