O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte alta nesta quarta-feira (25/02), mas, por trás do otimismo global, um fator doméstico começou a ganhar peso e pode se tornar decisivo nos próximos meses: a corrida eleitoral de 2026.
O Ibovespa subiu 1,60%, fechando aos 185.424 pontos, enquanto o dólar à vista caiu para R$ 5,22. À primeira vista, o movimento reflete um ambiente externo mais favorável. Mas investidores já começam a ajustar suas posições olhando para o cenário político interno.
Eleições 2026 entram no radar e começam a mexer com o mercado e o Ibovespa
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada hoje foi o principal catalisador local. O levantamento mostra o senador Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, ainda dentro da margem de erro, mas suficiente para acender um alerta no mercado.
Em um cenário direto:
- Flávio Bolsonaro: 47,6%
- Lula: 46,6%
Apesar do empate técnico, o dado quebra uma expectativa que vinha sendo dominante de vantagem consolidada do atual presidente. Para investidores, isso muda o jogo. O mercado não reage apenas a quem lidera, mas à incerteza. E a eleição de 2026 começa, agora, a sair do campo distante e entrar no preço dos ativos.
Bolsa sobe, mas com leitura mais complexa
O movimento positivo do Ibovespa foi amplo, com apenas sete ações em queda. Entre os destaques:
- MRV (MRVE3): +8,01%, impulsionada por mudanças no Minha Casa, Minha Vida
- Vale (VALE3): +1,86%, mesmo com queda do minério
- Petrobras (PETR4): +0,49%, sustentada por fluxo estrangeiro
O avanço da bolsa também reflete entrada de capital externo, mas esse fluxo é sensível ao risco político. Quanto maior a imprevisibilidade eleitoral, maior tende a ser a volatilidade. Em outras palavras: o mercado subiu hoje, mas não por conforto, e sim por expectativa.
Dólar recua, mas cenário ainda é instável
O dólar caiu 0,65% no dia e acumula baixa de quase 5% no ano. O movimento acompanha o alívio global, mas também indica que, por enquanto, o risco Brasil não se deteriorou. Ainda assim, a leitura é cautelosa.
Se o cenário eleitoral evoluir para maior polarização ou incerteza fiscal, o câmbio tende a reagir rapidamente. O histórico recente mostra que eleições no Brasil costumam pressionar o dólar conforme o risco percebido aumenta.
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Governo tenta blindar economia em meio ao cenário externo
Em paralelo, o governo federal anunciou uma medida provisória liberando R$ 15 bilhões em crédito via BNDES para empresas exportadoras. A justificativa oficial cita instabilidade internacional e tensões geopolíticas, fatores que seguem no radar, ainda que com sinais mistos sobre possíveis negociações envolvendo o Oriente Médio.
Para o mercado, a medida tem dupla leitura:
- Positiva: apoio à atividade econômica
- Neutra ou negativa: reforça preocupação com intervenção e uso de crédito público
O que realmente está em jogo agora?
O ponto central não é o resultado da pesquisa em si, mas o início de um novo ciclo de precificação. Até aqui, o mercado operava com foco em juros, inflação e cenário externo. A partir de agora, entra um novo vetor: a probabilidade de mudança de poder em 2026.
Isso afeta diretamente:
- Investimentos estrangeiros;
- Câmbio;
- Valuation das empresas;
- Decisões de longo prazo.
Ibovespa sobe hoje, mas eleições 2026 podem definir o rumo do mercado
A alta do Ibovespa e a queda do dólar refletem um dia positivo, mas o pano de fundo mudou. O investidor começou a precificar algo que até então estava distante: a eleição presidencial de 2026. E esse é o ponto crítico. Porque, diferente de fatores externos, o risco político doméstico não se resolve rapidamente. Ele se acumula.
Se novas pesquisas confirmarem disputa apertada ou aumento da incerteza, o impacto tende a ser mais forte do que qualquer alívio pontual vindo do exterior.
O mercado reagiu com otimismo hoje. Mas, daqui para frente, a direção pode depender menos do que acontece lá fora e mais do que começa a se desenhar dentro do Brasil.





