O Ibovespa marcou recorde nesta quarta-feira (11) ao fechar em alta de 2,03%, aos 189.699 pontos, após superar os 190 mil pontos pela primeira vez no intraday. O avanço ocorre enquanto o dólar recuou a R$ 5,1869, menor nível desde maio de 2024, consolidando uma sessão de forte apetite por risco no mercado brasileiro.
Além do patamar inédito, o Ibovespa acumula alta de 15,39% no ano, reforçando a percepção de que o Brasil voltou ao radar de gestores globais. Segundo operadores, o fluxo estrangeiro ganhou intensidade nas últimas semanas, em meio à reorganização de carteiras e à busca por ativos em mercados emergentes.
Recorde do Ibovespa ganha tração com fluxo externo
O rali foi sustentado por papéis de grande peso, especialmente Petrobras e Vale, que avançaram mais de 3% e puxaram o índice. Exportadoras de commodities se beneficiam da leitura de crescimento global ainda firme, mesmo diante de juros elevados nos Estados Unidos.
Nos EUA, o relatório de emprego mostrou criação de 130 mil vagas em janeiro, acima das 70 mil esperadas. A taxa de desemprego caiu para 4,3%, enquanto os salários subiram 0,41% no mês. Parte do mercado avaliou que a atividade aquecida pode sustentar receitas corporativas, favorecendo também economias emergentes.
Bolsa brasileira em patamar inédito e o cenário eleitoral
No Brasil, a pesquisa Quaest divulgada às 14h indicou Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 38% em eventual segundo turno. A diferença caiu para cinco pontos percentuais, ante dez em dezembro. Para analistas, o quadro sugere maior competitividade eleitoral, fator que influencia expectativas sobre a condução fiscal futura e contribuiu para o recorde do Ibovespa.
Ao mesmo tempo, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que o ambiente de incertezas exige cautela antes de iniciar cortes na taxa Selic, hoje em 15% ao ano. Ainda assim, agentes financeiros projetam o começo do ciclo de redução já em março.
Resultados corporativos também contribuíram para o ambiente positivo. A TIM reportou lucro líquido de R$ 1,35 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta anual de 28% e acima das previsões, reforçando o cenário favorável para ações brasileiras.
Recorde histórico e os próximos sinais do Ibovespa
O avanço do Ibovespa ocorre em meio a um dólar que acumula queda de 5,50% no ano, fortalecendo ativos locais. A combinação de fluxo internacional, dados econômicos externos fortes e incertezas políticas domésticas cria um ambiente de volatilidade controlada, mas com oportunidades táticas.
Se o ingresso de capital externo persistir e as expectativas sobre juros no Brasil se confirmarem, o Ibovespa pode testar novos recordes nas próximas semanas, consolidando o país como um dos principais destinos entre os emergentes neste início de ano.





