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IGP-M de março volta a subir e muda leitura sobre custos de mercado no Brasil

IGP-M de março sobe 0,52% e interrompe queda recente, com pressão da agropecuária e do petróleo. Índice volta ao radar por impacto em custos e contratos. Saiba mais.
IGP-M de março gráfico inflação FGV
IGP-M de março mostra avanço puxado por agropecuária e petróleo (Foto: Ilustrativa)

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de março registrou alta de 0,52% nesta segunda-feira (30/03), revertendo a queda observada no mês anterior e alterando a leitura recente sobre os custos na economia brasileira. O índice, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acompanha a variação de preços desde matérias-primas até o consumidor final, com forte uso em contratos de aluguel e reajustes no país.

A mudança ocorre após uma retração de 0,73% em fevereiro. Com o novo resultado, o índice acumula alta de 0,19% em 2026, enquanto mantém queda de 1,83% em 12 meses, sinalizando um quadro ainda heterogêneo entre horizontes de análise .

IGP-M de março e a pressão no atacado

Assim como apontou a prévia do indicador no início do mês, a principal força por trás do IGP-M de março veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que avançou 0,61% após queda no mês anterior. Esse componente reflete os preços no atacado e antecipa pressões ao longo da cadeia produtiva.

Nesse contexto, a agropecuária ganhou peso na formação do índice. Produtos básicos tiveram avanço expressivo e ampliaram o custo das matérias-primas, o que tende a se espalhar para outros segmentos. Ao mesmo tempo, houve inflexão relevante nos derivados de petróleo, que passaram de queda para alta.

  • Matérias-primas brutas: +0,67% após queda de -2,88%
  • Produtos agropecuários com alta disseminada (bovinos, ovos, leite, feijão e milho)
  • Derivados de petróleo: de -4,63% para +1,16%

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, essa combinação indica que pressões antes concentradas começam a alcançar outros setores, influenciadas também pelo cenário externo.

Inflação ao consumidor e construção

Enquanto o atacado acelera, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) manteve variação de 0,30%, mostrando estabilidade no curto prazo. Ainda assim, alguns grupos dentro do IGP-M de março apresentaram aceleração relevante, especialmente alimentação e transportes.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,36%, com avanço puxado principalmente pela mão de obra, o que mantém pressão sobre projetos imobiliários e custos operacionais do setor.

  • IPC: 0,30% em março, repetindo fevereiro
  • Alimentação: aceleração para 0,95%
  • Transportes: alta de 0,61%
  • INCC: 0,36%, com mão de obra em 0,47%

Essa combinação reforça que, embora o consumo ainda não reflita totalmente o avanço do atacado, há sinais de transmissão gradual ao longo da cadeia.

IGP-M de março e a nova leitura do cenário

A leitura do IGP-M de março passa a incorporar dois vetores distintos: a pressão de alimentos no atacado e o início de repasse ligado ao petróleo. A mudança no comportamento dos derivados ocorre em meio ao aumento da percepção de risco sobre a oferta global, segundo análise do FGV IBRE.

Além disso, o índice mantém relevância direta para o ambiente de negócios. Como referência para contratos indexados, especialmente aluguéis comerciais e residenciais, qualquer mudança de trajetória influencia decisões financeiras e planejamento de empresas.

Nesse cenário, a combinação entre commodities agrícolas e energia tende a ganhar peso nas próximas leituras. Caso essas pressões se consolidem, o indicador pode deixar para trás a fase de variações negativas e retomar um ciclo de reajustes mais consistentes.

O IGP-M de março, portanto, recoloca no radar a dinâmica de custos no Brasil, com sinais de transmissão entre setores e maior sensibilidade a fatores externos. Um ponto, inclusive, que passa a orientar expectativas no curto prazo.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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