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Relatório do BRB à PF amplia pressão em caso Banco Master

BRB envia à PF relatório final sobre operações com o Banco Master e amplia investigação sobre negócios bilionários sob suspeita
Banco estatal encaminha relatório à PF e coloca operações com o Banco Master no centro de investigação. (Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Banco de Brasília (BRB) enviou à Polícia Federal o relatório final da auditoria sobre operações com o Banco Master, ampliando a investigação sobre suspeitas de irregularidades em negócios que podem gerar prejuízo de até R$ 5 bilhões. O caso envolve recursos públicos e levanta dúvidas sobre decisões que levaram o banco estatal a assumir riscos elevados.

O envio do material marca uma nova etapa no caso, que deixa de ser apenas uma apuração interna e passa a ter desdobramentos criminais. A Polícia Federal já havia aberto inquérito em fevereiro para investigar suspeitas de gestão fraudulenta envolvendo a antiga diretoria do banco.

O escritório Machado Meyer Advogados conduziu a auditoria externa, com apoio técnico da consultoria Kroll, dentro da operação “Compliance Zero”, criada para revisar os negócios firmados com o Banco Master.

O foco das investigações está em operações que envolveram valores expressivos e estruturas consideradas atípicas para o perfil de risco de um banco público.

Operações bilionárias do BRB com o Banco Master entram no centro da investigação

Um dos pontos mais sensíveis do caso é a aquisição de carteiras de crédito sem garantia. O BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões nessas operações junto ao Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.

Esse tipo de ativo, por não contar com garantias reais, carrega risco elevado de inadimplência — especialmente em volumes dessa magnitude. Investigações preliminares já indicaram “achados relevantes”, o que levou à abertura do inquérito pela PF.

A estimativa de prejuízo potencial chega a R$ 5 bilhões, valor que, se confirmado, pode impactar diretamente a saúde financeira do banco e, indiretamente, os cofres públicos do Distrito Federal, controlador da instituição.

O que muda com o envio à Polícia Federal

Ao encaminhar o relatório final do Banco Master, o BRB transfere à Polícia Federal a avaliação sobre possível materialidade criminal. Na prática, isso significa que o caso pode avançar para responsabilização de executivos e envolvidos nas decisões investigadas.

O próprio banco afirmou que o envio foi feito para que, caso sejam identificadas irregularidades com relevância penal, sejam adotadas as medidas cabíveis. Esse movimento também reforça a tentativa da atual gestão de demonstrar distanciamento das decisões anteriores e de responder às pressões por transparência após a repercussão do caso.

Impacto para um banco público

O episódio expõe um ponto crítico: o nível de risco assumido por uma instituição financeira controlada pelo poder público. Diferentemente de bancos privados, eventuais perdas podem ter efeitos indiretos sobre a população, já que envolvem recursos públicos.

Além do impacto financeiro, o caso pode afetar a confiança na governança do banco e na forma como decisões estratégicas foram tomadas. A depender do desfecho das investigações, o caso BRB e do Banco Master pode se tornar um dos episódios mais relevantes recentes envolvendo gestão de risco em bancos públicos no Brasil.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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