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Crédito imobiliário no Brasil deve crescer até 15% em 2026

Crédito imobiliário no Brasil deve crescer até 15% em 2026, mas baixa participação no PIB revela limite estrutural e dependência de juros menores para expansão mais ampla.
Crédito imobiliário no Brasil crescimento mercado habitacional
Expansão do crédito imobiliário no Brasil depende da queda dos juros e da estrutura de financiamento. Imagem: Canva

O crédito imobiliário no Brasil deve avançar até 15% em 2026, mesmo após um início de ano com expansão próxima de 2%, revelando um descompasso entre expectativa e execução. A projeção, apresentada pelo Bradesco BBI, indica retomada gradual das concessões, mas expõe um ponto menos evidente: o setor cresce sobre uma base ainda restrita dentro da economia.

Esse avanço ocorre em um ambiente de juros em queda, ainda que lenta, o que tende a destravar decisões de longo prazo, como a aquisição de imóveis. Ainda assim, o ritmo inicial fraco sugere que o mercado reage com cautela, refletindo o peso do custo financeiro sobre o consumidor. A leitura, contudo, abre espaço para uma questão mais profunda: o tamanho real desse mercado no país.

Participação no PIB revela espaço inexplorado

Hoje, o crédito imobiliário representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto, um nível considerado baixo frente a economias mais maduras. Esse dado indica que, mesmo com crescimento projetado, o setor ainda opera aquém do potencial, limitado por fatores estruturais como custo do crédito e acesso restrito.

Além disso, o volume de R$ 324 bilhões em originações registrado em 2025 reforça essa assimetria. A concentração da Caixa Econômica Federal em aproximadamente 75% das concessões evidencia uma dependência relevante de agentes públicos, enquanto bancos privados ampliam presença de forma mais seletiva. Para além da escala, o desenho competitivo levanta outra camada de análise.

Estratégia bancária prioriza relacionamento, não margem

Nos bancos privados, o crédito imobiliário ganha relevância menos pela rentabilidade direta e mais pela capacidade de retenção de clientes. Com prazo médio de 11 anos, o produto funciona como âncora de relacionamento, elevando o consumo de outros serviços financeiros.

Dados do setor indicam que clientes com financiamento ativo possuem cerca de 70% mais produtos contratados, ampliando receitas indiretas. Nesse contexto, o crédito habitacional se posiciona como ferramenta estratégica dentro do portfólio bancário. A lógica, porém, depende de um elemento-chave para sustentar expansão.

Funding e regras ampliam capacidade de concessão

A melhora na captação, com redução no ritmo de saídas da poupança e manutenção do FGTS como fonte relevante, sustenta a oferta de crédito. Além disso, ajustes regulatórios recentes, como mudanças no direcionamento e liberação de compulsório, ampliaram a capacidade dos bancos de operar com condições mais competitivas.

Esse conjunto cria um ambiente mais favorável para expansão, mesmo em cenário ainda sensível ao custo do dinheiro. Ainda assim, o avanço não depende apenas da oferta, mas da persistência de uma demanda estrutural.

Déficit habitacional sustenta demanda contínua

A necessidade por moradia permanece elevada no país, impulsionando o interesse por financiamento mesmo diante de oscilações econômicas. O comportamento do consumidor reforça esse padrão: enquanto outros bens perdem prioridade, a busca por imóvel segue constante, inclusive entre públicos mais jovens.

Esse fator atua como base de sustentação para o setor, reduzindo o risco de retração abrupta. No entanto, a conversão dessa demanda em crédito efetivo depende diretamente das condições macroeconômicas.

Entenda o futuro do crédito imobiliário no Brasil

O crédito imobiliário no Brasil avança sustentado por demanda persistente e ajustes na oferta, mas enfrenta um limite estrutural que impede expansão mais ampla. A baixa participação no PIB revela um mercado ainda subdesenvolvido, condicionado ao custo do capital e à atuação de poucos agentes dominantes. Se o ciclo de juros realmente se consolidar em queda, o setor pode ampliar escala, mas o ritmo dessa expansão continuará sendo ditado menos pela demanda e mais pela capacidade do sistema financeiro de absorvê-la.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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