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Imposto sobre herança força venda bilionária de ações da Samsung

A venda de até US$ 2,1 bilhões em ações da Samsung por Hong Ra-hee revela como o imposto sobre herança na Coreia do Sul pode forçar famílias bilionárias a reduzir participação em grandes empresas.
Venda de ações da Samsung ocorre em meio a imposto sobre herança na Coreia do Sul
Sede da Samsung Electronics: herdeira vende bilhões em ações para pagar imposto sobre herança deixado após morte de Lee Kun-hee (Foto: Reprodução)

A venda de até US$ 2,1 bilhões em ações da Samsung Electronics expõe um efeito direto do imposto sobre herança: até famílias bilionárias precisam liquidar participações relevantes para pagar tributos. O movimento envolve Hong Ra-hee, herdeira do grupo, e revela como a tributação pode alterar o controle de grandes empresas.

A operação envolve cerca de 15 milhões de ações ofertadas com desconto em relação ao preço de mercado, além de papéis preferenciais. O volume chama atenção não apenas pelo valor, mas pelo motivo: a necessidade de gerar caixa para cumprir obrigações fiscais.

Por que o imposto sobre herança força a venda de ações da Samsung

Na Coreia do Sul, o imposto sobre herança está entre os mais elevados do mundo, especialmente quando envolve grandes fortunas ligadas a empresas familiares.

Esse tipo de tributo incide sobre o patrimônio transferido após a morte do titular. Como boa parte da riqueza dessas famílias está concentrada em ações, os herdeiros não têm liquidez imediata para pagar a conta.

Na prática, isso cria uma pressão direta: transformar participação societária em dinheiro. E isso geralmente significa vender ações — mesmo quando se trata de ativos estratégicos.

O caso Samsung e uma das maiores heranças do país

A origem da venda das ações da Samsung remonta à morte de Lee Kun-hee, ex-presidente da Samsung, em 2020, que chegou a ser sucedido por Han Jong-Hee, que também viria a falecer em 2025. Na ocasião de sua morte, Lee Kun-hee deixou uma das maiores heranças já registradas na Coreia do Sul, acompanhada de uma carga tributária igualmente elevada.

Hong Ra-hee, sua esposa, passou a buscar formas de cumprir essas obrigações. Um documento regulatório já indicava a intenção de vender milhões de ações justamente para pagamento de impostos e quitação de empréstimos.

Agora, essa estratégia se concretiza com uma oferta que pode chegar a 3,1 trilhões de wons, algo em torno de R$12 bilhões.

Venda de ações da Samsung com desconto revela urgência por liquidez

Os papéis foram ofertados entre 204.395 e 208.605 wons, com desconto de até 2,9% em relação ao fechamento recente.

Esse detalhe mostra um ponto importante: operações desse porte precisam atrair compradores rapidamente. Para isso, o vendedor aceita abrir mão de parte do valor potencial.

Além disso, a presença de grandes bancos globais — como Bank of America, Citigroup, JPMorgan, Shinhan Securities e UBS — indica a complexidade da operação e a necessidade de distribuição ampla no mercado.

Impacto vai além do caixa e atinge o controle empresarial

A venda de ações da Samsung para pagamento de impostos não é apenas um movimento financeiro. Ela pode alterar a estrutura de poder dentro da empresa.

Ao reduzir sua participação, a família controladora perde parte da influência sobre decisões estratégicas. Dependendo da dispersão das ações, investidores institucionais podem ganhar mais peso.

Esse efeito é especialmente relevante em conglomerados familiares como a Samsung, onde o controle historicamente está concentrado.

O que o caso revela sobre heranças bilionárias

O episódio mostra que herdar grandes fortunas não significa manter intacto o patrimônio.

Em países com tributação elevada sobre herança, a sucessão pode exigir liquidação de ativos relevantes. Isso transforma o processo de transferência de riqueza em um momento de reconfiguração empresarial.

Para investidores, essas operações de vendas de ações, tal como ocorre com a Samsung. podem abrir oportunidades de entrada em grandes companhias. Para as famílias, representam um custo direto que pode comprometer o controle construído ao longo de gerações.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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