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Allos e Kinea fazem acordo para lucrar com shoppings

Allos e Kinea firmaram acordo para criar um fundo imobiliário com shoppings, com captação de até R$ 1,97 bilhão. A estrutura prevê venda parcial de ativos, cogestão e geração de caixa sem perda de controle operacional.
Imagem do letreito da Allos para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Allos e Kinea.
Allos e Kinea criam fundo de até R$ 1,97 bi com shoppings. (Imagem: Instagram/Allos)

A Allos anunciou nesta sexta-feira (10/04) um acordo com a Kinea Investimentos para criar um fundo imobiliário focado em shoppings, com potencial de captação de até R$ 1,97 bilhão. A operação define como os ativos serão transferidos, pagos e administrados, e marca uma nova forma de gerar receita para a companhia sem abrir mão do controle dos empreendimentos.

A parceria entre Allos e Kinea detalha uma estrutura financeira que combina venda parcial de ativos, participação societária e gestão compartilhada. Na prática, o acordo transforma parte dos shoppings da empresa em um veículo de investimento, mantendo a companhia envolvida na operação e nos resultados.

Como funciona o acordo entre Allos e Kinea

O acordo cria o Kinea Allos Malls FII, um fundo imobiliário que reúne participações em até oito shoppings que já fazem parte do portfólio da Allos.

Esses ativos não serão vendidos integralmente de forma imediata. A estrutura permite a transferência de fatias específicas — que variam de participações minoritárias até o controle total em alguns casos — dependendo do volume captado na oferta de cotas do fundo.

Após a constituição, o fundo irá ao mercado para captar entre R$ 789,5 milhões e R$ 1,97 bilhão. Com esses recursos, comprará ativos da própria Allos, gerando liquidez para a empresa.

Como será o pagamento pelos ativos

O modelo financeiro do acordo foi desenhado em duas etapas.

A Allos receberá cerca de 80% do valor dos ativos à vista, combinando recursos em dinheiro com sua participação de 24% no fundo. A empresa receberá os 20% restantes de forma parcelada ao longo de três anos, o que criará um fluxo financeiro adicional para a companhia no período.

Esse formato permite que a Allos receba capital imediato, mas também continue exposta aos resultados do fundo, já que permanece como cotista relevante.

Quem controla e administra o fundo

A governança do novo FII será compartilhada. Allos e Kinea atuarão na cogestão do fundo em igualdade, o que significa divisão nas decisões estratégicas. Além disso, a Allos seguirá como administradora direta dos shoppings e também como coproprietária dos ativos, mesmo após a venda parcial das participações.

Na prática, isso garante que a empresa continue operando os empreendimentos e participando da geração de receita, mesmo após transferir parte da propriedade ao fundo.

Quais ativos entram no acordo

O portfólio inicial do fundo poderá incluir participações em até oito shoppings, com diferentes níveis de participação.

Entre os ativos listados estão:

  • Shopping Metrô Santa Cruz (até 100%)
  • Caxias Shopping (65%)
  • Bangu Shopping (entre 4,5% e 53%)
  • Shopping Parangaba (12% a 40%)
  • Plaza Sul Shopping (11% a 50,1%)
  • Shopping Villa-Lobos (10% a 12%)
  • Shopping Tamboré (5% a 15%)

A composição final dependerá do volume captado na oferta.

Cláusulas estratégicas do acordo

O contrato entre Allos e Kinea inclui mecanismos que ampliam o alcance da parceria. O fundo terá direito de preferência na compra de novos ativos da Allos, o que cria um canal contínuo de transações entre as empresas.

Além disso, as duas companhias poderão realizar aquisições conjuntas no futuro, ampliando o potencial de crescimento do portfólio.  Outro ponto relevante é a cláusula de exclusividade recíproca, válida até dezembro de 2026, que impede ambas de estruturar operações semelhantes com outros parceiros nesse período.

O que o acordo representa na prática para a Allos e Kinea

O acordo estabelece um modelo em que a Allos monetiza seus ativos sem sair da operação dos shoppings. Ao mesmo tempo, a Kinea ganha acesso a um portfólio já consolidado, com potencial de geração de renda.

Para o mercado financeiro, a operação cria um novo fundo com ativos maduros e taxa de capitalização estimada em torno de 9,5%, o que tende a atrair investidores em busca de renda imobiliária.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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