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Hotelaria no Brasil dispara R$ 13,6 bi e leva empreendimentos ao interior

A hotelaria no Brasil projeta R$ 13,6 bilhões em investimentos, com expansão no interior, avanço do luxo e desafios com juros altos, redesenhando o turismo e abrindo novas oportunidades econômicas.
Imagem de um hotel para ilustrar uma matéria sobre a expansão da Hotelaria no Brasil.
Hotelaria impulsiona economia com R$ 13,6 bi no Brasil. (Imagem: divulgação/SETUR-CE).

A hotelaria no Brasil projeta R$ 13,6 bilhões em investimentos até 2026, com 178 novos hotéis previstos, em um movimento que avança para o interior, eleva o padrão dos empreendimentos e começa a redefinir onde o turismo e os negócios vão crescer no país.

O movimento afeta diretamente investidores, cidades e o próprio consumidor. Novos empreendimentos avançam para regiões fora dos grandes centros, elevam o padrão da oferta e reposicionam o setor como vetor de desenvolvimento regional, mesmo diante de juros elevados e crédito restrito.

Na prática, isso significa mais hotéis em cidades médias, novas oportunidades ligadas ao agronegócio e uma mudança no perfil das viagens e da infraestrutura turística brasileira.

O levantamento, feito pela HotelInvest em parceria com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, também mostra que o setor entra em uma fase mais seletiva e estratégica, combinando crescimento com maior sofisticação dos projetos.

Interior vira protagonista na expansão da hotelaria no Brasil

O avanço da hotelaria no Brasil deixou de ser concentrado nas capitais. Hoje, 66% das novas unidades habitacionais estão no interior, enquanto 26% ficam nas capitais, evidenciando uma mudança clara no eixo de crescimento.

Essa interiorização responde a dois fatores principais. O primeiro é a menor saturação de oferta em cidades médias, que ainda têm espaço para novos empreendimentos. O segundo é o avanço econômico de regiões impulsionadas pelo agronegócio.

O efeito é direto: municípios antes fora do radar da hotelaria passam a receber investimentos, ampliando o fluxo de negócios, eventos, turismo corporativo e a chegada de turistas estrangeiros.

Esse movimento redistribui o crescimento do setor e reduz a dependência de destinos tradicionais, criando novas rotas de desenvolvimento econômico e imobiliário.

Hotelaria de luxo ganha espaço e muda perfil do investimento

O crescimento da hotelaria no Brasil também vem acompanhado de uma mudança no padrão dos projetos. O segmento de luxo passou a concentrar 50% do volume financeiro, acima dos 38% registrados anteriormente.

Já o segmento midscale e upper-midscale mantém relevância com 38% dos investimentos, funcionando como base da expansão por equilibrar custo e demanda. O segmento econômico, por outro lado, recuou para 11%.

Essa redistribuição mostra que o setor aposta em empreendimentos com maior valor agregado e potencial de retorno. Não se trata apenas de abrir mais hotéis, mas de elevar o nível da oferta.

Ao mesmo tempo, novos formatos ganham espaço. Projetos como branded residences e empreendimentos multiuso aproximam hotelaria e mercado imobiliário, criando modelos híbridos que diversificam receitas e reduzem riscos.

Crescimento da hotelaria no Brasil acelera com novos projetos

Apesar da expansão, o setor ainda opera sob restrições financeiras relevantes. O custo do capital, a taxa de juros elevada e a dificuldade de acesso a crédito limitam novos projetos e impõem as principais barreiras à expansão do setor.

Na prática, isso limita a velocidade de crescimento. A maioria dos empreendimentos depende de capital próprio ou estruturas combinadas com financiamento, o que exige maior disciplina financeira e seleção mais rigorosa dos projetos.

Os custos de construção também pressionam a viabilidade, aumentando o risco de adiamentos ou cancelamentos.

Mesmo assim, o setor mostra resiliência. Em 2025, o número de contratos assinados já superou o ano anterior, e a expectativa para 2026 é positiva, sustentada pela possível redução gradual dos juros.

Estratégia das redes reduz risco e acelera expansão

Para crescer em um ambiente mais restritivo, as redes hoteleiras passaram a adotar estratégias menos intensivas em capital. Um dos principais movimentos é a conversão de hotéis independentes ou de outras bandeiras.

Esse modelo permite expansão mais rápida, com menor necessidade de investimento em construção, além de reduzir riscos operacionais.

O pipeline reflete esse dinamismo. Entre 2025 e 2026:

  • 26 hotéis foram abertos
  • 61 novos projetos foram anunciados
  • 7 empreendimentos foram cancelados ou postergados

Esses números mostram um setor em ajuste, que cresce, mas também revisa decisões conforme o cenário econômico para elevar a experiência dos clientes.

Expansão combina volume maior e transformação estrutural

O crescimento da hotelaria no Brasil também se traduz em escala. O setor projeta 26 mil unidades habitacionais até 2026, acima das 23 mil registradas em 2025.

Mais do que o aumento numérico, o que define o momento atual é a transformação estrutural:

  • expansão para o interior
  • maior presença de projetos de médio e alto padrão
  • integração com o mercado imobiliário
  • adaptação a um ambiente financeiro mais restritivo

O resultado é um setor mais distribuído geograficamente, mais sofisticado e mais dependente de decisões estratégicas de investimento.

Para o leitor, isso se traduz em novas opções de destinos, mudanças no padrão de hospedagem e impacto direto no desenvolvimento econômico de regiões fora do circuito tradicional do turismo brasileiro.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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