A investigação sobre o Banco Master ganhou uma nova dimensão após a Polícia Federal apontar que empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira receberam pelo menos R$ 6 milhões em repasses atribuídos a Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025.
Além dos valores, os investigadores afirmam ter identificado indícios de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e vantagens econômicas consideradas incompatíveis com as operações analisadas, ampliando o alcance do caso para além das suspeitas envolvendo o sistema financeiro.
O elemento mais sensível do relatório não está apenas nos pagamentos, mas na forma como eles teriam sido realizados. Segundo a PF, empresas vinculadas ao núcleo familiar do senador aparecem como peças centrais de uma estrutura usada para movimentar recursos. E , além disso, dar aparência de legalidade às operações.
Como empresas ligadas a Ciro Nogueira aparecem na investigação do Banco Master
A Polícia Federal afirma que identificou uma sequência de transferências entre empresas relacionadas ao dono do Banco Master e companhias vinculadas à família de Ciro Nogueira, investigado desde o início de maio.
As mensagens analisadas apontam pagamentos mensais inicialmente estimados em R$ 300 mil e posteriormente elevados para até R$ 500 mil. Em um dos diálogos, Vorcaro destaca a importância da continuidade dos repasses mesmo durante o período de maior pressão enfrentado pelo Banco Master.
Os investigadores citam especialmente a atuação da CNLF Empreendimentos e da CN Motos, empresas que aparecem em diferentes frentes da apuração.
Segundo a PF, a análise conjunta dos documentos sugere a utilização dessas estruturas para:
- movimentação recorrente de recursos;
- depósitos em espécie considerados atípicos;
- ocultação de beneficiários finais;
- dissimulação da origem dos valores.
O relatório destaca que parte dos recursos ingressava por meio de operações fracionadas em dinheiro vivo. Nesse caso, um padrão frequentemente observado em investigações financeiras por dificultar mecanismos de rastreamento.
Operação societária levantou suspeitas sobre benefício econômico
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve uma operação da Green Investimentos S.A. Segundo a PF, uma empresa ligada ao senador adquiriu participação societária por R$ 1 milhão. Isso, apesar do valor estimado da fatia ser próximo de R$ 12,9 milhões.
A diferença entre o preço pago e o valor estimado do ativo levou os investigadores a apontarem possível vantagem econômica indevida na apuração que envolve Ciro Nogueira e o Banco Master. O relatório também menciona que a formalização ocorreu por instrumento particular, fora dos mecanismos normalmente associados a operações com maior transparência societária.
Além disso, a investigação sustenta ainda que a operação teria permitido acesso a dividendos provenientes da Trinity Energias Renováveis. Em apenas um ano, os rendimentos projetados para a participação adquirida poderiam alcançar cerca de R$ 720 mil, aproximando-se do valor desembolsado inicialmente pela empresa ligada ao senador.
PF vê indícios de lavagem e corrupção no entorno de Ciro Nogueira e do Banco Master
A conclusão preliminar da Polícia Federal vai além da discussão sobre os repasses atribuídos a Vorcaro. Os investigadores afirmam ter encontrado indícios de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O relatório também descreve despesas com hotéis de luxo, viagens internacionais, voos privados e outros benefícios supostamente custeados por terceiros para evitar associação direta dos gastos aos beneficiários finais. A PF pediu a suspensão das atividades de empresas citadas na investigação, incluindo a CNLF, a BRGD e companhias relacionadas à estrutura societária analisada.
O caso de Ciro Nogueira segue sob análise das autoridades responsáveis e representa um dos desdobramentos mais sensíveis da investigação envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Além dos repasses apontados pela PF, a apuração passou a concentrar atenção sobre a origem dos recursos, os mecanismos utilizados para sua circulação e o possível papel desempenhado por empresas que aparecem no centro da investigação.




