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Investigação revela como 37 bets ilegais operavam fora da autorização federal em três estados

A Operação Conto da Sorte investiga uma estrutura que teria permitido a atuação de 37 bets ilegais em todo o país. Segundo as autoridades, empresas de fachada, laranjas e instituições de pagamento foram utilizadas para sustentar operações sem autorização federal, em um esquema que pode ter movimentado até R$ 50 bilhões.
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Investigação apura como bets ilegais utilizaram empresas de fachada e estruturas paralelas para operar sem autorização federal. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

A Operação Conto da Sorte colocou bets ilegais no centro de uma investigação que apura a atuação de 37 empresas sem autorização federal para explorar apostas online. A ação cumpriu mandados em Pernambuco, no Ceará e em São Paulo e mira suspeitas de lavagem de dinheiro, exploração irregular de apostas, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo.

A apuração começou após análises da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda. Os indícios reunidos apontam que as bets ilegais investigadas teriam utilizado uma estrutura própria para operar nacionalmente sem cumprir as exigências impostas ao mercado regulado.

Autorização municipal virou porta de entrada para bets ilegais

Um dos principais focos da investigação envolve o município de Bodó, no interior do Rio Grande do Norte. A prefeitura criou a autarquia Lotseridó, que passou a credenciar empresas ligadas ao setor de apostas.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), as bets ilegais utilizaram esse credenciamento para atuar além dos limites do município e oferecer serviços para apostadores de diferentes estados. A estrutura chamou atenção das autoridades justamente porque a atividade ocorria sem autorização federal.

A situação se agravou após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que municípios não possuem competência para autorizar operações nacionais de apostas. Mesmo depois dessa decisão, a investigação aponta que parte das bets ilegais continuou funcionando.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a autorização concedida por Bodó foi posteriormente derrubada pelo STF a pedido do governo federal. A continuidade das operações passou a ser um dos elementos centrais da apuração.

Empresas de fachada ocultavam os responsáveis pelo esquema

A Receita Federal afirma que as bets ilegais investigadas estavam ligadas a dezenas de empresas de exploração de apostas e instituições de pagamento. Muitas dessas estruturas eram formalmente registradas em nome de terceiros sem capacidade financeira compatível com os valores movimentados.

Entre os sócios identificados aparecem beneficiários de auxílio emergencial e parentes de pessoas ligadas ao grupo investigado. A suspeita é que essas pessoas fossem utilizadas para ocultar os verdadeiros controladores das operações.

Para manter o funcionamento das bets ilegais longe dos mecanismos tradicionais de fiscalização, parte das empresas teria existido apenas no papel. Servindo, assim, como instrumento para movimentação financeira e ocultação patrimonial.

A investigação encontrou indícios de movimentação incompatível com a renda declarada pelos envolvidos, possível sonegação fiscal e uso de imóveis para ocultar recursos de origem suspeita.

Transferências em cadeia dificultavam o rastreamento do dinheiro

Segundo o Ministério Público, o dinheiro recebido pelas bets ilegais não seguia diretamente para os beneficiários finais. Os valores passavam por diferentes empresas e instituições de pagamento antes de chegar aos destinatários.

A estrutura criava múltiplas camadas de transferência, dificultando a identificação da origem e do destino dos recursos e ampliando as suspeitas de lavagem de dinheiro.

Entre os principais indícios investigados estão:

  • Uso de empresas de fachada para receber depósitos;
  • Movimentações entre múltiplas contas bancárias;
  • Utilização de instituições de pagamento ligadas ao grupo;
  • Suspeitas de lavagem de dinheiro;
  • Ausência de repasses previstos na legislação das apostas.

Bets ilegais ampliam pressão sobre fiscalização do setor

O Ministério da Fazenda estima que as bets ilegais investigadas possam ter movimentado até R$ 50 bilhões. O valor ainda está em apuração, mas indica uma operação de dimensão muito superior à observada em casos tradicionais de exploração irregular de jogos.

Além das suspeitas financeiras, as bets ilegais ignoravam exigências impostas às empresas autorizadas, como mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de menores de idade e políticas de jogo responsável.

Com isso, a próxima etapa da investigação busca identificar os beneficiários finais da estrutura. E, além disso, esclarecer como as bets ilegais conseguiram manter operações nacionais mesmo sem a autorização federal exigida para atuar no mercado brasileiro de apostas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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