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Braskem acelera produção para aproveitar espaço deixado por concorrentes no Oriente Médio

A Braskem tenta transformar uma crise financeira em oportunidade operacional. Entenda por que a petroquímica elevou a produção enquanto negocia sua recuperação extrajudicial e quais os riscos dessa estratégia.
Braskem amplia produção enquanto negocia recuperação extrajudicial e busca ganhar espaço no mercado petroquímico global
Empresa aumenta produção enquanto negocia recuperação extrajudicial. (Foto: Reprodução)

Recuperação extrajudicial da Braskem deixou de ser apenas uma discussão sobre dívidas e passou a envolver a estratégia operacional da maior petroquímica da América Latina. Mesmo em meio às negociações com credores, a companhia decidiu ampliar a utilização de suas fábricas para aproveitar um momento de desorganização da oferta global.

A aposta surgiu após os impactos do conflito no Oriente Médio, que interrompeu parte das cadeias petroquímicas da região e reduziu a disponibilidade de produtos no mercado internacional. Segundo William França, conselheiro da Braskem e executivo da Petrobras, a empresa trabalha para ocupar parte desse espaço enquanto concorrentes seguem fora de operação.

A estratégia busca gerar mais receita justamente quando a companhia enfrenta pressão financeira e negocia uma reestruturação de sua dívida bilionária.

Recuperação extrajudicial da Braskem ocorre junto com aumento da produção

A decisão chama atenção porque normalmente empresas em reestruturação priorizam preservação de caixa e redução de atividade. A Braskem adotou o caminho oposto.

A utilização das plantas industriais já alcança cerca de 70% da capacidade operacional e a meta é atingir 85% até dezembro.

O cálculo da companhia é que diversas unidades petroquímicas afetadas no Oriente Médio ainda levarão entre 12 e 18 meses para retornar plenamente ao mercado. Nesse período, produtores capazes de aumentar a oferta podem conquistar clientes e contratos antes atendidos pela região.

A estratégia também responde a um problema estrutural. A indústria petroquímica global enfrenta anos de excesso de capacidade e margens pressionadas, cenário que reduziu a rentabilidade do setor e contribuiu para o aumento da alavancagem da Braskem.

Como a Petrobras ampliou sua influência na petroquímica

A mudança de postura operacional da Braskem frente a seu atual processo de recuperação extrajudicial acontece ao mesmo tempo em que a Petrobras fortalece sua presença na gestão da companhia.

O acordo que transferiu o controle da Braskem para a IG4 Capital ampliou o peso da estatal nas decisões estratégicas. Magda Chambriard assumiu a presidência do conselho, enquanto executivos da Petrobras passaram a ocupar posições relevantes na administração da petroquímica.

A aproximação vai além da governança. Segundo William França, existem negociações para ampliar o fornecimento de etano à Braskem e aprofundar a integração operacional entre as empresas.

Entre as iniciativas discutidas estão:

  • Ampliação do fornecimento de matérias-primas;
  • Maior integração logística;
  • Aumento do fornecimento de hidrogênio para refinarias;
  • Busca por alternativas de abastecimento de nafta.

A expectativa é reduzir custos e melhorar a competitividade das operações brasileiras em um momento de forte pressão financeira.

O que está em jogo na negociação com credores

O avanço operacional não elimina os desafios do balanço.

A Braskem tenta reunir apoio suficiente para formalizar uma recuperação extrajudicial antes de vencimentos importantes previstos para este ano. O plano em discussão prevê um período de suspensão temporária de pagamentos para permitir negociações mais amplas com bancos e detentores de títulos.

A companhia encerrou o primeiro trimestre com uma dívida líquida ajustada próxima de US$ 9,4 bilhões, reflexo de anos de dificuldades operacionais, da crise global da petroquímica e dos impactos financeiros relacionados ao caso geológico de Alagoas.

Se conseguir converter a maior utilização das fábricas em receita e margens mais fortes, a Braskem pode chegar às negociações com uma posição operacional menos frágil. Caso contrário, o risco de uma solução mais complexa continuará no radar dos investidores.

A aposta da companhia é que a atual janela criada pela desorganização da oferta global funcione como uma ponte até uma recuperação mais ampla do setor petroquímico, que seus executivos enxergam apenas a partir de 2028. Enquanto isso, a combinação entre reestruturação financeira e expansão operacional definirá os próximos passos da empresa.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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