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Ações da Braskem despencam com temor de perdas além da dívida

A crise da Braskem entrou em uma nova fase. O mercado já não discute apenas a recuperação da petroquímica, mas quem absorverá o custo da reestruturação da dívida. Entenda os riscos que pressionam BRKM5.
Imagem da Braskem para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Ações da Braskem.
Braskem amplia crise com dívida sob pressão e temor de perdas. (Imagem: divulgação/Braskem)

A deterioração da percepção de risco em torno da Braskem provocou uma forte queda das ações e reforçou uma mudança importante na leitura do mercado. O foco deixou de ser a recuperação operacional da petroquímica e passou a ser a capacidade da companhia de atravessar sua crise financeira sem destruir valor para os acionistas.

Os papéis da Braskem renovaram as mínimas do ano após surgirem informações sobre dificuldades para obter apoio dos credores a uma proposta de reestruturação extrajudicial. A reação mostra que os investidores passaram a enxergar a liquidez da empresa como o principal fator de risco para o curto prazo.

A preocupação ganhou força porque a companhia tenta negociar uma solução para uma estrutura financeira pressionada justamente quando enfrenta novas incertezas ligadas ao caso Maceió.

Antes mesmo dos próximos passos da negociação serem definidos, o mercado já começou a precificar um cenário mais complexo: a recuperação da empresa pode ser possível, mas não necessariamente sem custos para os atuais acionistas.

A dívida da Braskem virou a principal preocupação dos investidores

A discussão sobre a dívida da Braskem ganhou protagonismo após reportagens indicarem resistência de parte dos credores aos termos propostos pela companhia para uma reestruturação extrajudicial.

Segundo informações divulgadas pelo mercado, alguns grupos questionam as garantias oferecidas, o tratamento diferenciado entre credores e a ausência de alternativas que permitam converter parte da dívida em participação acionária.

O receio não é apenas operacional. A companhia encerrou o primeiro trimestre com uma estrutura considerada desafiadora para o cenário atual, incluindo dívida bruta superior a R$ 50 bilhões e níveis elevados de alavancagem financeira.

Quando credores demonstram resistência a uma renegociação, o mercado tende a revisar rapidamente a percepção de risco. Isso ocorre porque aumenta a incerteza sobre o formato da solução que será necessária para preservar a liquidez da empresa.

Os investidores passaram a avaliar menos a recuperação do setor petroquímico e mais a capacidade da Braskem de administrar seus compromissos financeiros sem recorrer a medidas que alterem significativamente sua estrutura de capital.

Por que as ações da Braskem caem mesmo com melhora do setor petroquímico

Durante os últimos anos, a principal pressão sobre a companhia veio do ambiente desfavorável para a indústria petroquímica global.

O excesso de oferta internacional e as margens comprimidas reduziram a rentabilidade do setor e afetaram os resultados da empresa.

Agora, porém, a percepção do mercado mudou. Mesmo que as margens apresentem sinais de recuperação, investidores entendem que a melhora operacional pode não chegar com rapidez suficiente para resolver os desafios financeiros mais urgentes.

Essa mudança explica por que as ações da Braskem continuam sofrendo forte volatilidade apesar de perspectivas mais construtivas para a atividade petroquímica.

A avaliação predominante é que o valor da companhia passou a depender mais da execução da renegociação com credores do que da evolução do mercado de resinas e petroquímicos.

Por isso, notícias relacionadas à dívida passaram a gerar impactos maiores do que indicadores operacionais.

Risco de diluição e caso Maceió ampliam as incertezas

O ponto que mais preocupa os acionistas é a possibilidade de que uma eventual solução para a crise financeira envolva algum tipo de transferência de valor para credores.

Os analistas do UBS BB destacaram que o caminho para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir riscos para os investidores minoritários.

Isso não significa necessariamente uma medida específica já definida. O problema é que a falta de visibilidade aumenta o desconto aplicado pelo mercado às ações.

Ao mesmo tempo, a frente jurídica adiciona uma nova camada de pressão.

A decisão da Justiça Federal em Alagoas de tornar a Braskem e ex-dirigentes réus em processo relacionado ao desastre socioambiental de Maceió reacendeu preocupações sobre potenciais responsabilidades futuras da companhia.

A combinação de fatores ajuda a explicar a intensidade da reação negativa do mercado:

  • Resistência de credores à reestruturação;
  • Dívida superior a R$ 50 bilhões;
  • Incerteza sobre liquidez de curto prazo;
  • Risco de diluição dos acionistas;
  • Pressão jurídica ligada ao caso Maceió.

O resultado é um cenário em que a discussão deixou de ser apenas sobre recuperação operacional. O mercado tenta entender quem absorverá o custo da reorganização financeira da companhia.

Enquanto essa resposta não surgir, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada. Para os investidores, a principal questão já não é se a Braskem pode sobreviver à crise, mas qual será o preço dessa sobrevivência para quem hoje detém suas ações.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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