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Conta em dólar no Brasil muda custos de exportadores após decisão do BC

Nova regra do Banco Central amplia o acesso à conta em dólar no Brasil e pode reduzir despesas cambiais de exportadores e multinacionais.
Imagem da fachada do Banco Central do Brasil para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Canta em dólar no Brasil.
Nova regra do BC facilita operações em dólar para empresas. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A forma como empresas brasileiras administram recursos em dólar e euro passará por uma mudança importante a partir de 1º de outubro de 2026. O Banco Central (BC) ampliou o acesso à conta em dólar no Brasil, permitindo que mais companhias mantenham recursos em moeda estrangeira dentro do país.

A medida faz parte da regulamentação do Marco Legal do Câmbio e busca reduzir uma das principais fontes de custo das operações internacionais: a necessidade de converter recursos repetidamente entre reais e moedas estrangeiras.

O impacto vai além da burocracia. A nova regra pode reduzir despesas financeiras, diminuir a exposição às oscilações cambiais e aumentar a competitividade de empresas brasileiras que atuam no comércio exterior.

Conta em dólar no Brasil elimina uma despesa recorrente das empresas

Hoje, muitas empresas recebem recursos do exterior em dólar ou euro, convertem os valores para reais e, posteriormente, precisam realizar uma nova operação cambial para efetuar pagamentos internacionais.

Cada conversão envolve spread bancário, custos operacionais e exposição à variação das moedas.

Uma empresa exportadora pode receber dólares pela venda de seus produtos e, pouco tempo depois, precisar recomprar a mesma moeda para pagar fornecedores internacionais, fretes ou financiamentos externos.

Com a nova regulamentação, parte dessas operações poderá ocorrer sem a necessidade dessa dupla conversão.

A mudança reduz etapas que elevam custos e consomem recursos financeiros das empresas.

Poderão acessar as novas contas:

  • empresas exportadoras;
  • empresas com empréstimos ou dívidas no exterior;
  • empresas com participação de investidores estrangeiros;
  • pessoas jurídicas estrangeiras que realizem investimentos ou operações de crédito no Brasil.

O Banco Central também permitirá determinadas transferências entre essas contas sem contratação de operação de câmbio, simplificando processos que atualmente exigem intermediação financeira adicional.

Quem ganha mais com a nova regra cambial do Banco Central

Os maiores beneficiados tendem a ser os setores que mantêm fluxo constante de receitas e despesas em moeda estrangeira.

Entre eles estão:

  • agronegócio exportador;
  • indústrias voltadas ao mercado externo;
  • multinacionais instaladas no Brasil;
  • empresas com financiamentos contratados no exterior;
  • companhias que recebem investimentos estrangeiros.

Para esses grupos, a possibilidade de manter recursos em dólar ou euro dentro do sistema financeiro nacional reduz a necessidade de movimentações cambiais frequentes.

Quanto menor a quantidade de conversões, menor tende a ser o custo financeiro associado às operações internacionais.

A medida também facilita a administração do fluxo de caixa de empresas que possuem receitas em uma moeda e despesas na mesma divisa.

Contas em moeda estrangeira ampliam proteção contra oscilações do dólar

Outro efeito relevante da mudança está relacionado à gestão do risco cambial.

Quando uma empresa é obrigada a converter recursos imediatamente para reais, ela perde flexibilidade para escolher o momento mais adequado para realizar novas operações em moeda estrangeira.

A volatilidade do dólar pode afetar margens de lucro, custos de produção e planejamento financeiro.

Com as contas em moeda estrangeira, as empresas ganham maior capacidade de administrar recursos de acordo com suas necessidades operacionais e estratégias financeiras.

A iniciativa acompanha a modernização promovida pelo Marco Legal do Câmbio, que busca aproximar o ambiente regulatório brasileiro das práticas adotadas em mercados mais integrados ao comércio internacional.

Segundo o Banco Central, a ampliação dessas contas também pode atrair para o Brasil operações financeiras que atualmente são realizadas em outros países devido a limitações operacionais existentes no mercado doméstico.

Mesmo com a flexibilização, as movimentações continuarão sujeitas a controles regulatórios. No caso dos exportadores, por exemplo, os recursos mantidos nas contas deverão estar vinculados às atividades permitidas pela regulamentação.

A partir de outubro de 2026, a conta em dólar no Brasil deixará de ser uma ferramenta restrita a poucos participantes do mercado e passará a integrar a estratégia financeira de um número maior de empresas expostas ao comércio global. O objetivo do Banco Central é reduzir custos, aumentar a eficiência das operações internacionais e fortalecer a competitividade dos negócios brasileiros em um ambiente econômico cada vez mais conectado ao exterior.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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