A última quinta-feira (18/06) foi um dia agitado para as investigações relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Lula no Senado Federal, entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes ligadas ao Banco Master.
A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF apontar indícios de uma relação entre benefícios recebidos pelo parlamentar e interesses defendidos por pessoas ligadas ao grupo financeiro investigado.
Mais do que apurar patrimônio, viagens ou repasses, a nova fase busca esclarecer se essa relação teve reflexos em discussões políticas consideradas estratégicas para o Banco Master.
A principal mudança da investigação é que o caso deixa de atingir apenas empresários e operadores financeiros para alcançar um dos nomes mais influentes do governo Lula no Congresso.
Como Jaques Wagner passou a integrar o caso Banco Master
O ponto de partida da investigação é a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, empresário ex-dono do Banco Pleno, também investigado e apontado pela PF como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo os investigadores, os dois mantinham uma relação antiga e de elevada confiança. A PF afirma que essa proximidade teria criado um ambiente favorável para conversas sobre interesses privados do grupo financeiro.
Além disso, mensagens obtidas durante a investigação indicam que Augusto Lima atuava como interlocutor em assuntos considerados relevantes para empresas ligadas ao Banco Master. O que levou a PF a aprofundar a análise sobre os contatos entre os dois.
Apartamento e repasse milionário estão entre os principais focos
Uma das suspeitas envolve um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões em um empreendimento de alto padrão em Salvador. Segundo a PF, Wagner enviou a Augusto Lima informações sobre a unidade e as tratativas para a compra seguiram por meio de pessoas ligadas ao grupo investigado.
Outra frente apura um repasse de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar do senador. O valor partiu da PKL One Participações, companhia vinculada a familiares de Augusto Lima.
A PF também cita mensagens nas quais o enteado de Wagner cobra recursos para quitar boletos de alto valor. Dias depois, ocorreu a transferência milionária que passou a integrar o material analisado pelos investigadores.
Viagens, ingressos e dinheiro apreendido reforçaram as suspeitas
Os investigadores apontam que Augusto Lima disponibilizou uma aeronave particular para transportar Jaques Wagner e familiares até a Ilha da Paixão, propriedade atribuída ao empresário na Região Metropolitana de Salvador.
A operação também menciona a compra de ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, que somaram aproximadamente R$ 63 mil. Segundo a PF, os bilhetes foram adquiridos por orientação de Augusto Lima e destinados a familiares do senador.
Durante as buscas, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado a Wagner. Somados aos valores encontrados na Bahia, o total localizado chegou a cerca de R$ 471 mil entre dólares e euros. O senador afirma que os recursos têm origem legal e são resultado de diárias acumuladas em viagens oficiais.
Por que consignado, FGC e BRB aparecem na investigação
A investigação também busca entender se interesses do grupo financeiro avançaram para o campo político. Entre os temas citados está a ampliação do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.
Outro ponto é a chamada Emenda Master, proposta que previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida ganhou relevância porque poderia beneficiar instituições financeiras com perfil semelhante ao do Banco Master.
Os investigadores ainda analisam contatos relacionados à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A PF tenta determinar se a relação entre os envolvidos se limitava à esfera pessoal ou se existiu atuação voltada a interesses econômicos ligados ao grupo investigado.
O senador nega irregularidades, afirma que não é réu nem denunciado e sustenta que os fatos apontados pela Polícia Federal não comprovam prática ilegal. A investigação segue em andamento.



