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Governança da Natura entra em nova fase após Advent ampliar participação para 8%

A chegada da Advent vai além da compra de ações e acelera a renovação da liderança da Natura. Entenda o que muda na estratégia da companhia.
Fachada de escritório da Natura com o logotipo da empresa em destaque.
A Advent atingiu a participação prevista no acordo e passou a ter direito de indicar dois integrantes para o Conselho de Administração da Natura. (Foto: Reprodução)

A gestora global de private equity Advent International alcançou participação equivalente a cerca de 8% do capital da Natura, informou a companhia nesta quinta-feira (02/07). O percentual garante à investidora o direito de indicar dois integrantes para o Conselho de Administração, ampliando sua influência na governança da Natura, conforme acordo firmado em março.

O movimento ocorre enquanto a Natura prepara a saída dos fundadores do conselho após a assembleia de 2026 e reorganiza sua estrutura de liderança para um novo ciclo de crescimento.

Mais do que ampliar a participação acionária, a Advent passa a exercer um papel mais relevante na governança da Natura, reforçando a transição iniciada com a renovação do conselho e da estratégia da companhia.

Como a governança da Natura muda com a entrada da Advent

A Natura informou que o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Advent, possui 90.676.500 ações, equivalentes a 6,6% do capital social.

Além dessa participação, a gestora mantém exposição econômica a 19.288.800 ações por meio de contratos de Total Return Swap (TRS), instrumentos financeiros com liquidação exclusivamente financeira. Após a liquidação desses contratos, sua participação econômica chegará a aproximadamente 8% do capital.

Esse percentual representa um marco previsto no acordo assinado em março. Ao atingir a faixa entre 8% e 10%, a Advent poderá:

  • Indicar dois novos integrantes para o Conselho de Administração;
  • Participar de determinados comitês de assessoramento;
  • Contribuir diretamente para a definição da estratégia corporativa.

Na prática, a governança da Natura passa a incorporar um investidor com participação suficiente para influenciar a composição do conselho. Embora a Advent não tenha poder de veto nem obrigação de votar em conjunto com os acionistas de referência, exceto em temas ligados à administração e aos órgãos de assessoramento.

Transição dos fundadores ganha um novo componente estratégico

A ampliação da participação da Advent, que já estratégia semelhante em outras marcas de cosméticos, coincide com a reorganização da liderança anunciada pela companhia em março.

Na ocasião, os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos informaram que deixarão o Conselho de Administração após a assembleia de 2026. Eles passarão a integrar um conselho consultivo voltado à preservação da cultura e dos valores históricos da Natura.

Ao mesmo tempo, Alessandro Carlucci, ex-presidente-executivo da empresa, foi indicado para assumir a presidência do conselho em substituição a Fábio Barbosa.

Esse conjunto de mudanças mostra que a sucessão deixa de depender exclusivamente dos fundadores e passa a incorporar novos perfis na estrutura de liderança. Na governança da Natura, a Advent assume um papel institucional mais relevante ao conquistar espaço formal no conselho, acompanhando a renovação planejada pela companhia.

Na prática, a empresa amplia a diversidade de visões no conselho sem alterar o equilíbrio de controle estabelecido pelo acordo entre os acionistas de referência.

Nova etapa busca fortalecer a estratégia de crescimento

O avanço da Advent também sinaliza confiança no plano estratégico apresentado pela Natura após o processo de simplificação societária conduzido nos últimos anos.

O acordo firmado entre os grupos ligados aos fundadores e a gestora estabeleceu que a aquisição ocorreria exclusivamente por meio de compras de ações em circulação na bolsa, com preço médio-alvo de R$ 9,75 por papel. Na época, a companhia estimou que a operação poderia movimentar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,34 bilhão.

A decisão de estruturar a entrada dessa forma preservou a posição dos acionistas de referência. Além disso, permitiu que o novo investidor conquistasse espaço gradualmente dentro da companhia. Segundo a Natura, essa reorganização encerra um ciclo de simplificação societária e inaugura uma nova etapa voltada à expansão dos negócios, principalmente na América Latina.

Nesse contexto, a mudança na governança da Natura deixa de representar apenas uma troca de nomes no conselho. Ela consolida um modelo de liderança que combina a experiência histórica dos fundadores, agora em função consultiva, com a participação ativa de um investidor internacional.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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