Debates sobre arbitragem, influência política e decisões administrativas ainda marcam a Copa do Mundo de 2026, mas não parecem ter alterado o equilíbrio de forças dentro da FIFA. Pelo contrário: com uma arrecadação estimada em US$ 9 bilhões, a maior da história da competição, Gianni Infantino, o presidente da FIFA, chega ao próximo ciclo da entidade com sua posição política reforçada.
O motivo vai além do resultado financeiro. A expansão das receitas amplia a capacidade da FIFA de distribuir recursos às 211 associações nacionais, fator que historicamente exerce grande influência nas eleições da entidade. Para muitas federações, principalmente em mercados menores, esses repasses representam uma das principais fontes de investimento para infraestrutura, desenvolvimento técnico e competições.
Esse cenário ajuda a explicar por que as críticas à condução da Copa tiveram alcance limitado dentro da própria organização.
Gianni Infantino amplia influência ao aumentar os repasses da FIFA
A expansão da Copa do Mundo de 2026 também ampliou a capacidade financeira da entidade. O torneio passou de 32 para 48 seleções, elevou a premiação para US$ 871 milhões e garantiu pelo menos US$ 12,5 milhões a cada país participante.
Para algumas federações, esse dinheiro representa um impacto relevante. Cabo Verde, por exemplo, já assegurou mais de US$ 21 milhões durante sua campanha histórica, valor equivalente a cerca de 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) do próprio país.
Ao ampliar os recursos distribuídos às associações nacionais, Gianni Infantino fortalece um dos principais instrumentos de influência da FIFA sobre suas 211 federações filiadas, justamente as responsáveis por eleger o presidente da entidade.
As críticas não mudaram o equilíbrio de poder na FIFA
A capacidade financeira da FIFA ajuda a explicar por que as controvérsias da Copa do Mundo de 2026 tiveram efeito limitado sobre a posição de Gianni Infantino dentro da entidade. Embora decisões da organização tenham provocado críticas de dirigentes, políticos e especialistas, elas não alteraram o apoio das federações nacionais, principais responsáveis por eleger o presidente da FIFA.
Entre os episódios de maior repercussão estiveram as críticas aos preços dos ingressos, decisões envolvendo arbitragem e o caso do atacante americano Folarin Balogun. A autorização para que o jogador voltasse a atuar após cumprir suspensão, decisão atribuída por críticos à pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou questionamentos sobre a independência da entidade.
Mesmo assim, o desempenho comercial do torneio continuou acima das expectativas. Dados do Bank of America mostram que os gastos com cartões nas cidades-sede cresceram 6,3% em relação ao ano anterior, enquanto as despesas dos visitantes avançaram 16,7%. Empresas de publicidade e responsáveis pela operação de alimentação nos estádios também registraram aumento no faturamento, refletindo o maior consumo durante os jogos.
Próximas eleições da FIFA tende a ocorrer sem resistência relevante para Gianni Infantino
O próximo momento decisivo para Gianni Infantino será o 77º Congresso da FIFA, marcado para 2027, em Rabat, no Marrocos. É nessa reunião que as 211 associações nacionais filiadas à entidade (uma por país) elegem o presidente responsável por comandar a FIFA pelos quatro anos seguintes. Cada federação tem direito a um voto, independentemente do tamanho ou da força esportiva do país.
Até o momento, no entanto, Infantino é o único candidato e já recebeu manifestações públicas de apoio de dirigentes ligados às confederações da Ásia, da África e da América do Sul.
Esse sistema ajuda a explicar por que os resultados financeiros da FIFA têm tanto peso político. Assim, embora as críticas sobre governança e interferência política continuem no debate público, Infantino chega ao próximo processo eleitoral em posição confortável para buscar mais um mandato.





